Educação fora da sala de aula: como parques temáticos viram laboratórios de ensino

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Iniciativa em Santa Catarina conecta a diversão e experiências do cotidiano estudantil às diretrizes da BNCC e da LDB, transformando passeios em projetos interdisciplinares A rotina escolar tradicional, marcada por carteiras enfileiradas, giz, lousa e cadernos, já não atende todas as demandas do desenvolvimento infantil e juvenil.

Em um mundo marcado pela instantaneidade da informação e pela hiperconexão digital, prender a atenção das novas gerações exige estratégias pedagógicas que vão além do papel e caneta na mão. A busca por metodologias ativas e vivências práticas se tornou um pilar fundamental para educadores que desejam transformar o conhecimento em algo mais verdadeiro e significativo.

Quando um conceito abstrato de física, história ou literatura é vivenciado no mundo real, por exemplo, a retenção do conteúdo aumenta consideravelmente. O aprendizado deixa de ser uma memorização temporária para avaliações e passa a integrar o repertório de vida do estudante.

Esse movimento de expansão dos limites escolares encontra respaldo nas diretrizes educacionais do país. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) reforçam a relevância da formação integral.

Elas priorizam o desenvolvimento de competências que vão muito além do acúmulo de fatos, destacando o pensamento crítico, a curiosidade científica, a empatia, a comunicação e a valorização da diversidade cultural. Estudos recentes na área de psicologia cognitiva e educação mostram que o cérebro humano fixa melhor o conhecimento quando há envolvimento emocional e sensorial na experiência.

É por isso que visitas a museus, centros culturais, instituições científicas e, agora, grandes complexos de entretenimento como parques, ganham cada vez mais espaço nos planejamentos pedagógicos anuais das instituições de ensino. O ambiente fora do muro da escola deixa de ser mero lazer funcional e passa a ser reconhecido como um rico laboratório de aprendizagem.

Para atender a essa necessidade crescente por inovação na educação, iniciativas estruturadas começam a surgir no Brasil, aproximando o setor de entretenimento dos grandes objetivos da sala de aula. Quando o assunto é a física, por exemplo, uma visita a parques temáticos ou museus interativos de ciências aproxima conceitos como gravidade, aceleração e energia potencial ao ver na prática o movimento de grandes estruturas mecânicas.

Na língua portuguesa, a interpretação de mapas, a leitura de sinalizações complexas e a análise do comportamento humano em ambientes coletivos como estações rodoviárias ou aeroportos servem de insumo rico para redações, debates e produções narrativas. Já na área de ciências humanas, a análise da arquitetura, das profissões, dos espetáculos artísticos e das dinâmicas sociais em locais de grande fluxo de pessoas como mercados municipais, feiras livres, parques ou centros históricos, enriquece a compreensão sobre cultura, trabalho e organização social.

Agora o grande desafio dos educadores é transformar essas saídas de campo em projetos estruturados. Sem um planejamento prévio e uma reflexão posterior, o passeio corre o risco de se limitar ao entretenimento.

É preciso equilíbrio entre a intencionalidade educacional e a leveza do momento recreativo para atingir o objetivo de aprendizagem. Atento a essa demanda, o Beto Carrero World, localizado em Penha, no litoral norte de Santa Catarina, lançou um projeto estruturado para o público escolar e docente.

Chamado de Aula Fora da Caixa, o programa foi anunciado intencionalmente no dia 15 de outubro, Dia do Professor, com o objetivo de ressignificar a visita ao maior parque multitemático da América Latina, transformando o espaço em uma extensão viva da sala de aula. O projeto propõe que a diversão e a infraestrutura do parque sejam utilizadas como recursos pedagógicos em um itinerário que possui etapas antes, durante e depois da viagem.

A proposta do programa dialoga diretamente com as 10 competências gerais da BNCC e com princípios da LDB, como a valorização da experiência extraescolar e a vinculação entre a educação formal e as práticas sociais. Na realidade, as diferentes áreas temáticas do parque passam a ser encaradas sob a lente da interdisciplinaridade.

Antes de saírem da escola, os alunos podem ser desafiados a analisar gêneros textuais específicos, como roteiros de viagem e mapas temáticos, ou a estudar os princípios mecânicos que regem as atrações que irão visitar. Durante o passeio, a observação direta estimula a formulação de hipóteses e a produção de diários de bordo.

De volta à sala de aula, as vivências se desdobram em apresentações orais, relatórios científicos, produções textuais e debates sobre sustentabilidade, diversidade cultural e trabalho em equipe. Segundo Alex Murad, CEO do parque, “o Aula Fora da Caixa nasceu da vontade de mostrar que o aprendizado não precisa acontecer apenas sentado em uma carteira.

O Beto Carrero é um lugar de diversão, mas também é um espaço cheio de possibilidades para despertar a curiosidade, fazer perguntas e enxergar o conhecimento de uma maneira diferente. No Dia do Professor, queremos entregar esse projeto como um presente para quem transforma todos os dias a educação em novas possibilidades”.

Professores e gestores escolares interessados em integrar a iniciativa aos seus planejamentos pedagógicos podem participar do webinar oficial do projeto para entender como alinhar as atrações às disciplinas escolares. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas por meio do formulário oficial.

Alex ainda destaca que “mais do que levar a escola para dentro do parque, o Aula Fora da Caixa propõe levar o parque de volta para a escola, fazendo com que as experiências vividas durante a visita continuem provocando perguntas, produções e aprendizados depois do passeio”. Com essa iniciativa, o Beto Carrero World, inaugurado em 1991 e consolidado por suas grandes atrações, shows e parcerias internacionais com marcas do entretenimento, reforça sua presença na região não apenas como um polo turístico, mas também como um incentivador de experiências educativas.

O programa acredita que quando o conhecimento ganha movimento, a educação extrapola os limites da sala de aula e transforma a experiência de aprendizagem.

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