247 – O Tesouro Nacional vai atuar no mercado de títulos públicos para tentar devolver liquidez e previsibilidade aos negócios, depois de um dia de turbulência provocado pela reação dos investidores ao resultado da eleição presidencial. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (26).
Segundo o ministro, a operação consiste na compra de papéis pelo Tesouro, que já recomprou R$ 7,1 bilhões em títulos. O objetivo, de acordo com ele, é ajudar o mercado a voltar à normalidade.
Durigan afirmou que o movimento está sendo combinado com o Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo, e que já tratou do assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu conversei com o presidente por telefone para explicar a situação.
Eu falei com o Banco Central, estou falando com o Tesouro. Depois de uma eleição como a que a gente passou, é evidente que nós temos que tomar todos os cuidados”, afirmou.
“Racionalidade”, e não controle de preço Durigan fez questão de distinguir a atuação do Tesouro de qualquer tentativa de segurar cotações.
Para ele, o que se busca é um funcionamento ordenado do mercado, mesmo com preços em patamar mais alto. “Nós precisamos ter alguma racionalidade.
Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro, o Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez.
Eu não estou falando de nível, o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade”, declarou. Coordenação para evitar pressão sobre o câmbio
O ministro explicou que o Banco Central avalia, em conjunto com a Fazenda, uma eventual atuação no câmbio. A preocupação é que a intervenção nos juros, por meio dos títulos do Tesouro, não acabe pesando de forma desproporcional sobre a taxa de câmbio.
“O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio. Então, nós estamos fazendo isso de maneira coordenada”, disse o ministro.
Compromissos na área fiscal Durigan também sinalizou o rumo que o governo pretende adotar na política fiscal.
Segundo ele, a equipe econômica mirará o centro da meta de resultado primário, avançará na revisão de despesas obrigatórias e não prorrogará parte das medidas parafiscais adotadas ao longo do ano. “Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, inclusive dívida, juros, câmbio a médio e longo prazo.
Nós vamos aumentar o tamanho do superávit primário. Nós vamos trabalhar para estabilizar a dívida pública, para coordenar com o Banco Central e, na medida da autonomia do Banco Central, permitir baixar a taxa de juros”, disse.
“No lado da despesa, nós vamos seguir fazendo revisão de gasto, controle de gasto obrigatório e (não continuaremos com) parte das despesas financeiras feitas”, completou. O ministro acrescentou que mantém contato com agentes do mercado e ressaltou ser importante que não “haja chantagem de um lado e nem retaliação de outro”.
Dólar teve alta superior à de 1999 Os mercados reagiram nesta segunda à vitória de Lula, no domingo, sobre o senador Flávio Bolsonaro.
O dólar comercial abriu em forte alta de 8,65%, a R$ 5,42. As negociações foram interrompidas e, quando reabertas, pouco antes das 10h, a moeda chegou a R$ 5,60, avanço de 12,2%.
Houve nova paralisação, e o dólar voltou a ser negociado nas máximas, em R$ 5,60, antes de outra suspensão dos negócios. Pouco antes das 11h, as operações foram retomadas com a moeda em alta de 10,78%, a R$ 5,53.
No pico, a valorização de mais de 12% superou até a variação intradiária registrada em 15 de janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou as bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante: naquele dia, o dólar subiu 11,10%. Na Bolsa de Valores de São Paulo, os negócios também foram interrompidos depois que o Ibovespa, principal índice, caiu mais de 10%.
Com a retomada, a queda se aprofundou e chegou a 17%. A disparada do dólar e o tombo da Bolsa acionaram o circuit breaker, mecanismo que paralisa as negociações em momentos de oscilações muito bruscas para que os investidores tenham tempo de rever suas estratégias.
Brasil 247