A deputada federal reeleita Duda Salabert (PSOL-MG) pediu ao Ministério Público de Minas Gerais que investigue a participação de crianças em um vídeo publicado pelo colega de Câmara Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar, que também foi reeleito para a Casa em 4 de outubro, compartilhou uma peça política neste Dia das Crianças em que uma sequência de jovens faz críticas à gestão federal, ao PT e ao presidente Lula (PT), rival do correligionário Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. Qual é o seu perfil ideológico? Teste do GLOBO revela sua posição político-ideológica com base em perguntas e respostas Leia mais: Impulsionadas pelas redes, deputadas garantem votação recorde com pauta antifeminista Na produção, as crianças apontam, entre outros temas, que não ganharam o presente prometido de 12 de outubro porque "roubaram o dinheiro da vovó". "Ouvi dizer que foi o Lula", diz uma das crianças. "Não, foi o Lulinha", afirma outra, em referência ao primogênito do presidente. Os jovens ainda afirmam que hoje não podem mais brincar nas ruas com segurança nem acessar bens, como iPhones ou ovos de Páscoa. Curtido por mais de três milhões de usuários no Instagram, o vídeo termina com um dos slogans de campanha de Flávio, cujo nome não é mencionado: "O Brasil vai vencer".
Em postagem nas redes sociais, Duda Salabert explicou que decidiu acionar o Ministério Público da Infância e Juventude para solicitar que sejam investigadas as condições em que esse material foi produzido. A parlamentar destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a imagem, a dignidade e a integridade psicológica das crianças — e que mesmo a autorização dos pais não afasta automaticamente as exigências legais. Na publicação, a deputada aponta a necessidade de alvará judicial para o trabalho artístico infantil. Ela ressaltou que as crianças têm direito à liberdade de expressão e à participação política, mas ponderou que a proteção delas "deve estar acima de qualquer partido, governo ou ideologia".
"Quero que o Ministério Público apure se houve exploração da imagem infantil, se as crianças foram orientadas a reproduzir falas elaboradas por adultos, se houve remuneração e se a produção exigia autorização judicial. É importante esclarecer: não estou afirmando que houve crime. Estou pedindo que os órgãos competentes investiguem", afirmou. "A infância não pode ser tratada como instrumento de disputa eleitoral". Em resposta à deputada, Nikolas gravou um vídeo nos stories do Instagram em que questiona as intenções da esquerda nas críticas ao vídeo. O deputado perguntou se as crianças não teriam o direito de se expressarem e de indicarem preferência por políticos de outro matiz ideológico. "A esquerda nunca se indignou ou movimentou o Judiciário para falar sobre as crianças que foram expostas nas paradas LGBTs, nudez, pornografia, drogas. Eu nunca vi elas questionando o Ministério Público sobre músicas pornográficas que são colocadas em escolas, como já aconteceu no Rio de Janeiro, com o 'cavalo taradão'. Nunca vi eles revoltados com as crianças que são usadas pelo tráfico, para ser aviãozinho. Posso ser sincero? Eu tenho mais é que agradecer porque vocês estão dando mais motivos para os pais afundarem 22 nas urnas", destacou o parlamentar.
O Globo