Drone controla 80% das formigas em teste realizado no Espírito Santo

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Syngenta obtém aprovação para aplicar inseticida com drones em florestas plantadas; tecnologia promete facilitar o manejo de áreas extensas e de difícil acesso. O uso de drones para proteger florestas plantadas ganhou uma nova aplicação no Brasil.

Segundo comunicado da Syngenta, publicado em 3 de novembro de 2026, a empresa obteve aprovação para distribuir o inseticida ATEXZO Ant F por meio de aeronaves não tripuladas. Em uma avaliação realizada no Espírito Santo, o método alcançou 80% de controle de formigas-cortadeiras após 150 dias.

A novidade busca facilitar o trabalho em terrenos difíceis e reduzir os problemas causados por essas pragas na produção florestal. A avaliação ocorreu em uma área florestal no Espírito Santo e analisou o desempenho da distribuição aérea de iscas formicidas.

Durante o teste, o drone aplicou 10 quilos de isca por hectare. Depois de 150 dias, os pesquisadores registraram controle de 80% das formigas-cortadeiras.

Além disso, o resultado não apresentou diferença estatística em relação aos tratamentos terrestres utilizados na comparação. Esses tratamentos incluíram a aplicação localizada do próprio ATEXZO Ant F e uma isca à base de sulfluramida.

Entretanto, o percentual de 80% corresponde às condições específicas da avaliação. Portanto, não significa que todas as aplicações com drones alcançarão o mesmo resultado.

A novidade acompanha a expansão da tecnologia aérea no campo. Uma pesquisa com participação da NASA utiliza drones e sensores para identificar sinais de seca, doenças e ataques de insetos nas plantações, mostrando outras possibilidades de monitoramento agrícola.

As formigas-cortadeiras representam um desafio constante para produtores de madeira e empresas do setor florestal. Entre as principais espécies estão as saúvas, do gênero Atta, e as quenquéns, do gênero Acromyrmex.

Esses insetos cortam folhas e outras partes das plantas para manter os fungos que cultivam dentro dos formigueiros. Quando as infestações aumentam, o ataque pode comprometer mudas e prejudicar o crescimento das árvores.

Além disso, a perda de folhas reduz a capacidade das plantas de realizar fotossíntese. Consequentemente, o desenvolvimento das florestas pode sofrer atrasos.

Os cortes também criam lesões nos tecidos vegetais, que podem favorecer a entrada de agentes causadores de doenças. Por isso, o controle das formigas faz parte do manejo de áreas destinadas à produção florestal.

Um dos principais desafios no combate às formigas está na extensão das áreas que precisam de acompanhamento. Em terrenos íngremes, por exemplo, o deslocamento das equipes pode exigir mais tempo e apresentar dificuldades operacionais.

Além disso, talhões com vegetação densa ou áreas afetadas por danos podem limitar a circulação de trabalhadores e equipamentos terrestres. Segundo Fábio Araujo, engenheiro de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, a aplicação aérea permite distribuir iscas em locais onde o acesso pelo solo é mais complicado.

O uso de geolocalização também ajuda a planejar as operações e padronizar as doses aplicadas. Dessa forma, a empresa espera melhorar a organização do manejo e reduzir a necessidade de deslocamento terrestre em determinadas situações.

Entretanto, a Syngenta não divulgou um percentual comprovado de economia financeira ou redução no tempo de trabalho durante o teste no Espírito Santo. Em outras atividades agrícolas, os drones também vêm ganhando espaço.

Uma pesquisa brasileira combinou imagens aéreas e inteligência artificial para identificar plantas de milho mais tolerantes à seca, ampliando as possibilidades de uso dessas aeronaves na produção rural. O produto aprovado para aplicação por drones é o ATEXZO Ant F, desenvolvido pela Syngenta.

Sua formulação utiliza o ingrediente ativo isocicloseram, associado à tecnologia PLINAZOLIN. Segundo a fabricante, o inseticida atua no sistema neuromuscular das formigas, ajudando a controlar as populações presentes nos formigueiros.

A empresa afirma ser a primeira do segmento a oferecer uma solução com recomendação para essa modalidade de aplicação em áreas florestais. Contudo, a autorização não significa que qualquer inseticida possa ser distribuído por drones.

A operação deve respeitar as condições de registro, as orientações da bula e as exigências aplicáveis ao uso de aeronaves não tripuladas. Além do controle químico, pesquisadores também investigam alternativas biológicas para proteger diferentes culturas.

Nesse contexto, a Embrapa identificou fungos da Caatinga com potencial para combater doenças agrícolas e desenvolver novos bioinsumos. O avanço apresentado pela Syngenta oferece uma alternativa para o controle de formigas em florestas comerciais.

Com a aplicação aérea, produtores podem planejar a distribuição de iscas em áreas extensas e alcançar locais onde o trabalho terrestre enfrenta dificuldades. Além disso, a tecnologia permite incorporar recursos de geolocalização às operações de manejo.

Apesar dos resultados positivos no Espírito Santo, a avaliação não comprova que o uso de drones seja sempre mais eficiente ou econômico do que os métodos tradicionais. O desempenho depende das condições da área, do planejamento da aplicação e do cumprimento das recomendações técnicas.

Por enquanto, o principal resultado demonstrado é a possibilidade de realizar o controle aéreo de formigas-cortadeiras com desempenho semelhante ao dos tratamentos terrestres avaliados. A novidade pode ampliar as opções de manejo disponíveis para o setor florestal brasileiro, especialmente em propriedades com grandes extensões e terrenos de difícil acesso.

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