A busca por noites de sono mais revigorantes envolve hábitos que vão além de horários regulares e iluminação adequada. A escolha da roupa de dormir desempenha papel direto na regulação da temperatura do corpo e na qualidade do sono — especialistas apontam que uma boa solução pode ser dormir pelado.
A diminuição da temperatura corporal é um processo fisiológico fundamental para o alinhamento dos ciclos do sono, enquanto o controle do calor e da umidade sobre a pele previne irritações locais. O uso de peças ajustadas ao corpo ou feitas de materiais sintéticos pode reter calor e suor no decorrer da noite, criando um ambiente propício para a proliferação de microrganismos.
A médica dermatologista Paola Canabrava, explica que, embora faltem ensaios clínicos focados exclusivamente no hábito de dormir sem roupas, a diminuição do abafamento traz vantagens práticas. “Ao dormir sem roupas, evitamos o abafamento da pele, principalmente nas regiões de dobras do corpo, situação que pode ser agravada pelo uso de roupas muito justas ou confeccionadas com tecidos sintéticos.
Dessa forma, há uma melhor ventilação da pele, o que pode contribuir para a redução de irritações, dermatites e infecções”, destaca. Receba no seu email as notícias de Ciência&SaúdeFrequência de envio: SemanalVer todasVer todas as newsletters
A ventilação contínua diminui o atrito da peça de vestuário contra a epiderme, reduzindo o risco de microlesões em áreas como axilas, virilhas e abaixo dos seios. Na região íntima, a circulação de ar auxilia no combate ao acúmulo de umidade, embora o acompanhamento de medidas de higiene, hidratação e alimentação permaneça indispensável para a prevenção de quadros como candidíase ou cistite.
O resfriamento corporal é uma sinalização essencial para que o cérebro inicie o processo de desaceleração. A médica do sono Cristina Salles, professora adjunta da Escola Bahiana de Medicina e coordenadora do Ambulatório de Medicina do Sono da mesma instituição e do HUPES-UFBA/Ebserh, ressalta a necessidade de o organismo perder calor para atingir estágios profundos de descanso.
“Para o nosso cérebro entender que chegou a hora de relaxar e desacelerar, ele precisa que a temperatura interna do corpo diminua cerca de 1°C”, pontua. Fatores externos como refeições volumosas próximo ao horário de deitar, exercícios físicos intensos no período noturno e ambientes abafados podem elevar a temperatura central, dificultando a manutenção do sono contínuo.
Nesses cenários, a ausência de camadas de roupas facilita a troca térmica com o ambiente, evitando despertares ao longo da noite, decorrentes do superaquecimento. A especialista pondera que a prática não elimina a necessidade de manter o ambiente fresco, já que a temperatura do ambiente continua influenciando no conforto térmico.
Para quem opta por dormir sem pijamas, o cuidado com as peças de cama torna-se o ponto central da rotina. Como o contato direto entre a pele e o lençol aumenta, a seleção dos materiais impacta diretamente no conforto e na respiração cutânea.
Paola recomenda o uso de fibras naturais. “Recomendamos, preferencialmente, tecidos naturais e respiráveis, como os confeccionados à base de algodão, que permitem uma melhor ventilação.
Já o poliéster e outros tecidos sintéticos podem favorecer a retenção de calor e umidade”, orienta. Em indivíduos com lesões ativas, dermatites graves ou hipersensibilidade, o atrito direto com lençóis pode gerar incômodo, sendo indicada a utilização de tecidos leves e coberturas adequadas sob orientação profissional.
A higienização de fronhas e lençóis com sabões neutros, evitando o excesso de amaciantes ou fragrâncias marcantes, completa os cuidados necessários para assegurar um descanso saudável e sem reações alérgicas.
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