Donos de prédio que desabou na Penha recusaram orçamento para reparar estrutura, diz Nunes

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Fonte da notícia: CBN CBN

Os donos do prédio que desabou na Penha, na Zona Leste de São Paulo, sabiam dos problemas na estrutura e recusaram, em maio, um orçamento para fazer a recuperação da obra. A informação é do prefeito Ricardo Nunes, que disse ter levado o caso à delegada responsável pela investigação, Deidiene Fialho. Segundo ele, a recusa foi por causa do preço. Nunes não descarta motivação política em decisão de Dino sobre cemitérios em SP Governo de SP realiza reunião no Vale do Ribeira para definir ações em resposta às fortes chuvas "Em maio desse ano, os proprietários daquele prédio chamaram uma empresa especialista em estrutura de construção para fazer um orçamento, porque já se verificava problemas na estrutura. Essa empresa de engenharia foi até o local, deu um orçamento para fazer aquela recuperação estrutural, e eles não o quiseram, porque acharam que o preço não seria compatível com o que eles visavam de lucro. Portanto, fica mais claro para a gente de que eles tinham conhecimento do risco estrutural." Nunes também falou sobre a fiscal da Subprefeitura da Penha que, em 2024, atestou que a estrutura antiga tinha sido demolida, condição imposta pela prefeitura para liberar uma nova obra no terreno. A demolição nunca aconteceu. A servidora foi afastada, prestou depoimento nesta terça-feira e, segundo a Polícia Civil, vai ser indiciada por homicídio com dolo eventual. O prefeito afirmou que ela nega ter feito a vistoria, mas que o documento diz o contrário. "Ao que tudo indica, logicamente tem que ter toda a questão da investigação, do trabalho da controladoria, de que essa servidora atestou algo que era inverídico. Ela disse o seguinte: não, eu não atestei. Mas está escrito. O laudo dela diz isso, que ela atestou que o prédio havia sido demolido e que já teria um outro prédio sendo erguido com o novo alvará." A prefeitura suspendeu 29 projetos ligados à família, a maioria nas zonas Leste e Sul da cidade. Segundo o g1, que teve acesso à lista, 21 são da New Home e oito de outra construtora que tem como sócio Cristiano Vivaqua, engenheiro responsável pela obra que desabou. Só oito projetos tinham alvará aprovado. Mesmo assim, há indícios de obras em pelo menos oito endereços, algumas em fase avançada ou até concluídas sem licença definitiva. Nesta terça, a defesa de Ronaldo Vivaqua, preso no domingo como sócio oculto da construtora, pediu que ele vá para a prisão domiciliar humanitária. Os advogados afirmam que ele tem 63 anos, trata uma doença inflamatória nos brônquios e nunca foi condenado. O pedido ainda não foi analisado pela Justiça. Em depoimento, Ronaldo negou ser sócio da empresa. Ele é pai de Cristiano e sogro da dona da construtora New Home, Isis Brandão. O casal está foragido. A Polícia Civil vai indiciar os três por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. A pena pode chegar a 20 anos de prisão. O prédio de 12 andares desabou na madrugada de sábado sobre uma casa onde viviam imigrantes, a maioria bolivianos. Seis pessoas morreram, entre elas uma mulher grávida e uma menina de sete anos.

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