Após exibir 'Dark horse' nos EUA, Eduardo Bolsonaro ignora patrocínio ao filme e diz que Vorcaro 'contratou Moraes'

Após exibir 'Dark horse' nos EUA, Eduardo Bolsonaro ignora patrocínio ao filme e diz que Vorcaro 'contratou Moraes' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ainda sem data para estrear e alvo de suspeitas por elos com o caso do Banco Master, o filme "Dark horse" teve a sua segunda exibição pública nos Estados Unidos na conferência trumpista Storm Summit, em Las Vegas, no último dia onze. No evento, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou de uma sessão de perguntas e respostas por videoconferência e, apesar de mencionar as investigações que apuram o financimento da obra, não as relacionou ao banqueiro Daniel Vorcaro, responsável por repassar cifras milionárias à produção a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República e irmão de Eduardo. Vínculos com o empresário, no entanto, foram usados para atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Quaest: com 37%, Lula aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro, que tem 33%; Cury soma 6% Leia mais: Saiba o salário de um escrivão da PF, cargo do qual Eduardo Bolsonaro foi demitido após afastamento intencional O Storm Summit ocorreu entre os dias 10 e 13 de setembro em um hotel de Las Vegas, com o tema "integridade eleitoral". Em meados de junho, uma primeira exibição da cinebiografia aconteceu no mesmo endereço em outra versão da conferência, batizada de Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude).

De sua residência no Texas, Eduardo Bolsonaro respondeu a perguntas sobre o filme e a eleição brasileira, enquanto Cyrus Nowrasteh, diretor de "Dark horse", participava presencialmente.

— Já faz, sei lá, quatro meses que falam em "Dark horse". Tentam encontrar alguma coisa, dizem isso e aquilo. E, no fim das contas, não conseguem provar nada. Absolutamente nada. Por isso estão desesperados, já que faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições — disse o ex-parlamentar, após Nowrasteh afirmar que "estão tentando usar um filme que ninguém no Brasil viu" contra Flávio Bolsonaro.

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que a produção recebeu ao menos US$ 12,3 milhões de Vorcaro, valores que foram encaminhados para o fundo Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo de Eduardo. Uma das hipóteses investigadas é que o montante tenha sido usado para bancar a estadia do ex-parlamentar no país. Flávio Bolsonaro alega que o dinheiro usado no filme era privado.

Momentos antes da fala sobre "Dark horse", Eduardo havia atacado o ministro do STF Alexandre de Moraes por vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Sem mencionar o nome do magistrado, o ex-deputado afirma que Moraes trabalhava para o empresário, que é investigado por fraudes financeiras.

— A esposa dele é advogada. E ela tem um cliente que é banqueiro. Mas, na verdade, o banqueiro não estava contratando a esposa: ele contratou o juiz (Moraes). O juiz estava atuando plenamente na defesa dele. Sabe, fazendo todas aquelas coisas ilegais — disse Eduardo Bolsonaro, referindo-se ao contrato de R$ 131 milhões assinado entre o escritório Barci de Moraes e o Master. — Ele (Moraes) estava editando um contrato de cerca de US$ 30 milhões da mulher.

Em seguida, Eduardo afirma que Vorcaro organizava festas "com moças da Rússia e da Ucrânia" nas quais iam "autoridades do Congresso Nacional e da Suprema Corte". Ele também faz uma associação entre o governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o escândalo.

— Há milhões de dólares circulando de bolso em bolso, e o presidente Lula está ligado a essa gente. Eles fazem parte do mesmo regime — afirma o ex-deputado, que também critica o petista por proximidade com a China.

Em outro trecho, ele faz uma menção ao caso Lulinha: — O filho do presidente, o principal ministro do presidente. É uma confusão total. Ao longo da conversa, Eduardo Bolsonaro diz que a história brasileira está repetindo a americana e crítica Lula por não apoiar a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ele também afirma que os dois países devem cooperar na exploração de terras raras e no combate ao crime organizado, acrescentando que, caso o irmão seja eleito, haverá menos imigração ilegal para os EUA.

— Ao longo de toda a história do Brasil, os Estados Unidos sempre foram nosso principal parceiro comercial. A China só assumiu o primeiro lugar depois de 2009, e isso aconteceu durante o segundo mandato de Lula da Silva, já que ele possui uma orientação ideológica que busca a aproximação com a China. Cartaz anuncia exibição de Dark Horse em conferência trumpista em Las Vegas Reprodução Os três dias do Storm Summit aconteceram no hotel Ahern, em Las Vegas, com os ingressos saindo por US$ 700, o equivalente a cerca de R$ 3,5 mil na cotação atual. Além de Peters e Eduardo, também participaram do encontro o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Stephen Bannon, o ativista americano James O'Keefe e a atriz Roseanne Barr. O cartaz que anunciava o evento contava com uma bandeira do Brasil e os dizeres: "Storm Summit dá as boas-vindas à nossa família brasileira".

O ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul Hwang Kyo-ahn também participou do Storm Summit. Em novembro de 2025, ele foi detido pelas autoridades do país por incitar uma insurreição ao apoiar a lei marcial decretada pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol em 2024. No encontro de junho, ele e o líder do partido Liberdade e Inovação foram aos EUA para "trazer a verdade sobre as eleições de 3 de junho na Coreia do Sul", que alegam ter sido fraudadas. 'Happy birthday' e oração Ao final da conferência, o apresentador Juan O'Savin, um influenciador da direita americana que ganhou projeção como um dos nomes do movimento de teoria da conspiração QAnon, chamou ao palco Tina Peters, uma ex-funcionária eleitoral do estado do Colorado, condenada por violar a segurança de urnas. Peters já havia participado da sessão de "Dark horse" em junho, em uma de suas primeiras aparições públicas depois de ser solta. O presidente americano Donald Trump havia pressionado o governador do Colorado Jared Polis para reduzir a pena da servidora, que cumpriu apenas um quarto da sentença de nove anos.

Ela foi condenada por permitir a terceiros acesso não autorizado a equipamentos de votação. O objetivo de Peters era mostrar que as urnas haviam sido fraudadas para prejudicar Trump no pleito de 2020, perdido para Joe Biden. Após Peters subir ao palco, O'Savin pediu para que Eduardo Bolsonaro puxasse um "Parabéns para você", em inglês, em homenagem ao aniversário da funcionária eleitoral. Após a música, o apresentador fez uma oração para Jair Bolsonaro e o restante da família. Peters, em seguida, comparou a sua situação à do pai de Eduardo, condenado pelo STF por tentativa de golpe de estado: — Estamos, sem dúvida, em uma crise constitucional. Quando podem jogar alguém como eu na prisão pelo que dizemos, e quando podem jogar alguém como Bolsonaro, esse grande homem, na cadeia, a ponto de seu filho e sua família sofrerem por nem sequer poderem vê-lo, eles podem fazer isso com cada um de vocês.

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