Dona de Brastemp e Consul, Whirlpool registra prejuízo de US$ 237 milhões, vê vendas recuarem na América do Norte e reduz expectativas para 2026

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A Whirlpool terminou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízo de US$ 237 milhões e precisou reduzir suas expectativas para o restante do ano, diante da menor procura por eletrodomésticos. Dona de marcas conhecidas dos brasileiros, como Brastemp, Consul e KitchenAid, a fabricante sente principalmente os efeitos da desaceleração na América do Norte.

Com as dificuldades para recuperar as vendas, a companhia passou a prever uma perda de US$ 1,30 por ação em 2026 e aposta em reajustes de preços e cortes estruturais de custos para melhorar suas margens. Embora o mercado de eletrodomésticos continue enfrentando dificuldades, a Whirlpool conseguiu melhorar suas margens nos últimos trimestres.

Parte desse avanço, segundo o CEO Marc Bitzer, veio dos esforços para tornar a operação mais eficiente e dos reajustes de preços realizados pela empresa. Essas medidas têm ajudado a fabricante a enfrentar os efeitos da demanda mais fraca, mas ainda não foram suficientes para garantir uma recuperação no ritmo esperado.

O próprio executivo reconheceu que a melhora dos negócios está acontecendo mais lentamente do que a companhia imaginava. Ainda assim, a administração acredita que as mudanças colocadas em prática podem abrir caminho para resultados melhores em 2027, apesar das dificuldades que continuam afetando o desempenho atual.

O cenário que a Whirlpool enfrenta hoje é bastante diferente daquele previsto pela companhia no início de 2026. Em janeiro, a fabricante esperava alcançar um lucro ajustado de US$ 7 por ação, uma projeção que acabou sendo reduzida ao longo dos meses, à medida que os resultados ficaram abaixo do esperado.

Na revisão mais recente, a empresa passou a trabalhar com a possibilidade de terminar o ano registrando perda de US$ 1,30 por ação. A mudança mostra como as expectativas da fabricante foram afetadas pelo desempenho dos negócios.

O resultado positivo que a Whirlpool projetava no começo do exercício, em termos ajustados, deu lugar a uma previsão de prejuízo, refletindo as dificuldades encontradas ao longo de 2026. Um dos principais desafios da Whirlpool está no mercado norte-americano, onde a procura por grandes eletrodomésticos perdeu força.

Nesse segmento, as vendas líquidas da fabricante caíram 8,3%, um recuo que também pesou sobre o desempenho geral da companhia. Na avaliação de analistas da Dow Jones Newswires, o comportamento dos consumidores está ligado a diferentes pressões econômicas.

Os juros elevados continuam dificultando a venda de imóveis, enquanto a inflação e os efeitos da guerra no Irã contribuem para aumentar a cautela das famílias na hora de fazer compras de maior valor. Para a Whirlpool, esse ambiente torna a recuperação mais difícil.

A empresa precisa encontrar maneiras de melhorar sua rentabilidade enquanto enfrenta consumidores menos dispostos a gastar com eletrodomésticos, o que limita o avanço das vendas. A queda na procura pelos produtos da Whirlpool também ficou evidente nos números consolidados do trimestre.

Entre julho e setembro de 2026, a fabricante alcançou US$ 3,7 bilhões em vendas líquidas, abaixo dos US$ 3,9 bilhões que os analistas esperavam para o período. A comparação com o ano anterior também mostra uma perda de força nas vendas.

No terceiro trimestre de 2025, a companhia havia registrado US$ 4 bilhões, valor superior ao resultado apresentado agora. Considerando todas as operações, a Whirlpool informou uma retração de 8,8% nas vendas, indicando que os problemas comerciais não se limitaram ao mercado de grandes eletrodomésticos da América do Norte.

Diante desse cenário, a empresa continua recorrendo aos ajustes de preços e às iniciativas de eficiência para tentar preservar e recuperar suas margens, mesmo com um volume de vendas inferior ao esperado. Além da receita abaixo das previsões, o resultado por ação também trouxe números piores do que os esperados pelo mercado.

Analistas acompanhados pela FactSet projetavam lucro de US$ 0,73 por ação no terceiro trimestre, mas a Whirlpool apresentou prejuízo de US$ 0,21 por ação. A diferença entre o desempenho esperado e o resultado divulgado repercutiu nas negociações das ações da fabricante em Nova York.

Após o fechamento do pregão regular, os papéis da companhia passaram a registrar perdas. Às 17h43, no horário de Brasília, as ações da Whirlpool acumulavam queda de 8,62% no after hours, refletindo a reação do mercado aos números trimestrais.

Com a demanda demorando mais do que o previsto para se recuperar, a fabricante entra na reta final de 2026 tentando equilibrar a queda nas vendas com a necessidade de melhorar seus resultados financeiros.

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