A cotação do dólar comercial encerrou o pregão desta sexta-feira (23) abaixo da marca de R$ 5 no mercado financeiro brasileiro, no último dia útil de negociações antes do segundo turno das eleições presidenciais. No acumulado da semana, a moeda norte-americana registrou desvalorização de 1,58% frente ao real, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (a bolsa de valores de São Paulo), fechou o dia em alta de 0,47%, atingindo 205.082,56 pontos.
Investidores domésticos ajustaram suas carteiras na véspera da votação de domingo (25), reagindo simultaneamente aos levantamentos eleitorais e aos dados de inflação mais brandos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No cenário externo, o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio impulsionou os preços internacionais do petróleo, que avançaram mais de 3% e alcançaram o maior patamar desde abril.
Ao longo da sessão de 23 de outubro de 2026, o dólar comercial à vista oscilou entre a cotação máxima de R$ 5,0557 e a mínima de R$ 4,989, registrada na reta final das operações. O fechamento ocorreu no menor nível desde a sexta-feira, 9 de outubro de 2026, data em que a divisa havia encerrado os negócios cotada a R$ 4,985.
Esse recuo semanal de 1,58% reverteu parte do movimento observado na semana imediatamente anterior, quando a moeda dos Estados Unidos havia acumulado alta de 1,77% em relação ao real. Acompanhe: Segundo turno das Eleições 2026 define presidente e seis governadores
A moeda brasileira apresentou o melhor desempenho entre as principais divisas globais no pregão, descolando-se do comportamento registrado no exterior. Enquanto o real ganhava força no mercado local, o índice DXY, indicador internacional que mede o desempenho do dólar perante uma cesta de moedas de economias desenvolvidas, operava em alta no fim da tarde.
Um dólar mais barato reduz os custos de produtos importados e de viagens ao exterior, além de aliviar a pressão sobre preços de mercadorias cotadas em moeda estrangeira no mercado interno. Na bolsa de valores brasileira, o Ibovespa somou mais 962,44 pontos na sessão, encerrando aos 205.082,56 pontos após variar entre a mínima de 203.428 pontos e a máxima de 205.757,04 pontos.
A alta do dia foi amparada pelo avanço das ações de empresas petroleiras e mineradoras, que acompanharam a valorização do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional. Mesmo com o resultado positivo desta sexta-feira (23), a cautela dos operadores diante do pleito presidencial levou o índice a acumular uma retração semanal, embora o balanço mensal e anual siga positivo.
O alívio no câmbio e o recuo dos juros futuros por toda a curva na B3 foram diretamente influenciados pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que funciona como a prévia da inflação oficial do país. Segundo o IBGE, a taxa subiu 0,32% em outubro, desacelerando 0,38 ponto percentual na comparação com o índice de 0,70% registrado em setembro e ficando abaixo das projeções do mercado financeiro.
Apesar da perda de ritmo mensal, o indicador ainda acumula alta superior ao teto de 4,5% da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período de 12 meses. Além dos dados econômicos, operadores repercutiram pesquisas eleitorais da reta final da campanha entre o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), com levantamentos de institutos indicando empate técnico na disputa.
Nos mercados internacionais de commodities, os contratos futuros de petróleo para entrega em dezembro encerraram a sexta-feira (23) em forte valorização. O barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado global e para a política de preços no Brasil, subiu 3,13% no dia, fechando cotado a US$ 116,72 e acumulando ganho de 6,24% na semana.
Já o petróleo do tipo WTI, negociado no Texas e referência nos Estados Unidos, avançou 3,82% na sessão, encerrando a US$ 103,27 por barril, com alta semanal de 4,29%. O salto nas cotações ocorreu diante do risco de interrupções no fornecimento global de energia provocado pela escalada militar no Oriente Médio.
O governo do Irã advertiu que poderá reagir a eventuais novos ataques dos Estados Unidos e de Israel com ofensivas direcionadas a bases militares, navios de guerra e alvos localizados em países vizinhos do Golfo Pérsico. Paralelamente, confrontos armados envolvendo o grupo rebelde dos houthis e a Arábia Saudita ampliaram os temores quanto à segurança do transporte na região.
Para conter perdas de estoques e estabilizar a oferta doméstica de combustíveis, o Departamento de Energia dos Estados Unidos autorizou medidas emergenciais na Reserva Estratégica de Petróleo do país. Esse encarecimento da energia pressionou as bolsas norte-americanas, que fecharam em queda diante do avanço nos rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida pública dos EUA) e do receio de que a inflação leve o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a adotar uma política monetária mais restritiva.
Com os mercados fechados no fim de semana, os investidores aguardam o resultado da votação presidencial deste domingo (25) para retomar as negociações na segunda-feira.
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