Dólar à vista hoje corrige excessos após disparada da véspera

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Fonte da notícia: Valor Valor

O dólar à vista exibe queda nesta terça-feira (27) e, assim, devolve parte da valorização expressiva da sessão anterior. Operadores entendem que a dinâmica do pós-eleição de Lula pode ter sido exacerbada, mas que esse ajuste de hoje não necessariamente signifique o fim do pessimismo com o câmbio doméstico, uma vez que o problema fiscal e a falta de perspectiva para a sustentabilidade da dívida pública seguem presentes.

Perto das 13h15, o dólar à vista era negociado em queda de 1,09%, cotado a R$ 5,3440, depois de ter batido na mínima de R$ 5,3080 e encostado na máxima de R$ 5,4122. Já o euro comercial recuava 1,32%, a R$ 5,9591.

No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,28%, aos 102,246 pontos. Desde o começo do dia, o dólar à vista recua frente ao real, refletindo uma correção de excessos dos agentes financeiros após a forte reprecificação dos mercados ontem, depois da inesperada reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Na hora do susto, o investidor tira o pé [reduz exposição] e depois vai se ajustando. A questão é que esse ajuste pode ter continuidade ou não, e isso só depende do que o vai ser sinalizado pelo governo sobre a dívida pública”, diz um gestor.

O analista de moedas Michael Pfister, do Commerzbank, diz em nota que esse ajuste pode se estender nos próximos dias até o mercado assimilar o resultado eleitoral. “No médio prazo, no entanto, tudo dependerá sobretudo de Lula implementar, de fato, ajustes críveis em sua política fiscal e promover reformas”, afirma.

“Os acontecimentos recentes ainda nos deixam um tanto céticos quanto a isso, razão pela qual continuamos confortáveis com nossa projeção de dólar a R$ 5,20 no fim do ano.” Já Homin Lee e Patrick Kellenberger, estrategistas do banco suíço Lombard Odier, dizem esperar que o dólar se valorize em direção a R$ 5,50 nos próximos meses, refletindo as incertezas fiscais.

“No longo prazo, a moeda americana deverá então oscilar em torno de R$ 5,20.” Para eles, essa cotação parece justa, mesmo considerando a trajetória de alta da dívida brasileira.

“Os preços elevados das commodities e os juros reais em níveis historicamente altos tendem a oferecer sustentação à moeda. A nomeação de um ministro da Fazenda, provavelmente por volta de dezembro, pode ser outro fator capaz de provocar movimentos no câmbio.”

Publicação Original Valor valor.globo.com
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