O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou que dois petroleiros, cada um transportando cerca de dois milhões de barris de petróleo bruto, pegaram fogo neste sábado (17) depois de atingirem minas navais no Estreito de Ormuz. O primeiro petroleiro se chocou com a mina e causou uma explosão, que resultou em um "incêndio violento", de acordo com a IRGC. Já o segundo foi descrito como "envolto em labaredas de altas proporções" depois do impacto pela IRNA, agência de notícias estatal do Irã.
Não foram informados os nomes das embarcações ou o país de origem de suas cargas. No entanto, a IRNA insinuou que os petroleiros estariam furando o bloqueio imposto pelas forças iranianas devido à guerra com os EUA e a Israel. Eles teriam desligado seus sistemas de radar e geolocalização e teriam tentado usar uma rota que não foi autorizada pela Marinha iraniana. A IRGC ainda alegou que um dos petroleiros tentou cruzar o estreito com "apoio dos EUA", enquanto o segundo acabou ficando "imobilizado". O Irã impôs um bloqueio parcial de rotas e embarcações com bandeiras de aliados americanos e israelenses desde que os dois países atacaram Teerã em fevereiro; o bombardeio matou o então Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei. Desde então, seu governo exige que todos os navios que desejam cruzar Ormuz busquem sua autorização antes. O comandante naval da IRGC, Contra-Almirante Ali Azmaei, alertou esta semana que qualquer embarcação que desativasse seus sistemas de navegação seria considerado "hostil". Os EUA, por sua vez, já impõem seu próprio bloqueio naval e econômico às explorações petrolíferas iranianas. Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido globalmente passava por Ormuz antes da guerra. Dois petroleiros já haviam pegado fogo na quinta e sexta, segundo o Exército do Irã, ao trafegarem em uma "zona proibida" do Golfo de Omã. Outros dois também teriam se chocado na costa da Arábia Saudita na sexta (16). Guerra no oceano No último domingo (11), seis embarcações foram atacadas dentro ou nos arredores do Estreito de Ormuz, o maior número em um único dia desde início do dia, segundo dados da firma de segurança Vanguard, da Organização Internacional Marítima e da agência britânica de marketing UKMTO. Ainda de acordo com rede de televisão catari Al Jazeera, os ataques na região aumuntaram expressivamente nas últimas duas semanas, com o aumento de retaliações ao bloqueio americano. Quase 20,8 milhões de barris de óleo foi aprovados em 8 de outubro, mas o número caiu para apenas 2,9 milhões em 11 de outubro, segundo um monitoramento da plataforma global de dados Kpler. O fechamento ou alterações no fluxo de Ormuz impuseram aumentos bruscos na negociação de barris de petróleo, além de inflação nos países atingidos.
Apesar da disputa simultânea de ambas as partes para o controle total do comércio em Ormuz, Trump descartou enviar tropas de solo ao Irã, ou lançar uma bomba atômica sobre o país. O fim do conflito, contudo, seria do interesse do atual presidente, cujo partido tem tido dificuldade em eleger seus candidatos nas eleições locais e legislativas de 3 de novembro. *Com IRNA e AFP.
O Globo