Vice de Trump culpa imigrantes e "problemas de assimilação" por protestos violentos na França

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, culpou imigrantes pela violência durante os protestos destes sábado (17) na França. Vance compartilhou no X (ex-Twitter) um vídeo que mostra o incêndio provocado por manifestantes na histórica prefeitura de Limoges, e criticou a diversidade da sociedade francesa. Liberais ocidentais importaram o terceiro mundo para dentro da França e de outros países em nome da diversidade e compaixão. Eles ignoraram questões fundamentais de assimilação e compatibilidade. Foi dito a eles que levaria a isso e não ouviram. Eu rezo para que a França, um país lindo de pessoas incríveis, possa parar com essa loucura antes que mais de seus marcos históricos queimem. Vance ainda se dirigiu aos seus compatriotas para fazer um "alerta" antes das eleições locais e legislativas de 3 de novembro. "E espero que americanos estejam prestando atenção. Este é o futuro que congressistas democratas buscam para o seu país".

Por que os franceses protestam? Em Lyon, no sul da França, um manifestante, enrolado na bandeira do país, diante do escritório de Turismo em chamas JEFF PACHOUD / AFP Manifestações contra o elevado custo de vida e a alta inflação na França foram realizadas neste sábado nas principais cidades do país, em uma mobilização nacional que aprofunda a instabilidade política após semanas de protestos estudantis por melhores condições de ensino.

Sob o lema "Amarelos e Jovens", os manifestantes tentam reativar o movimento dos Coletes Amarelos, que entre 2018 e 2019 abalou o país, a seis meses da eleição que definirá o sucessor do presidente Emmanuel Macron. Cerca de 1,2 mil pessoas foram detidas e 150 policiais feridos nos atos, segundo o governo.

Segundo uma pesquisa do instituto Elabe, de meados de setembro, dois terços dos franceses apoiariam a volta dos coletes amarelos que tomaram as ruas do país há quase oito anos contra o aumento previsto de um imposto sobre combustíveis — e chegaram a destruir o Arco do Triunfo. Na época, o movimento perdeu força depois que Macron anunciou bilhões de euros em cortes de impostos. Em Nantes, no oeste da França, manifestantes reunidos no protesto nacional contra o alto custo de vida no país; Um deles segura a bandeira francesa SEBASTIEN SALOM-GOMIS / AFP Os grandes atos deste sábado foram registrados em cidades como Paris, Marselha, Lyon, Lens e Saint-Étienne, após grupos estudantis aderirem às manifestações convocadas durante a semana, que também mobilizou agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou que 800 mil pessoas participaram dos atos, enquanto o Gabinete do primeiro-ministro Sebastién Lecornu citou 550 mil. Manifestantes e autoridades locais apontaram que grande parte das marchas começou pacífica, mas divergiram quanto à responsabilidade por incidentes de violência entre policiais e manifestantes, que aumentaram ao longo do dia. Líderes sindicais e ativistas mencionaram agressões partindo da polícia, enquanto autoridades políticas citam ataques contra policiais e atos de vandalismo e saques por grupos de pessoas mascaradas que compareceram a protestos. "Aqueles que destruíram, atacaram tanto sedes de governos regionais quanto estabelecimentos comerciais e saquearam até mesmo nossas prefeituras serão perseguidos e punidos", escreveu Macron na rede social X.

Em Saint-Étienne, no sul do país, um manifestante perdeu a mão durante a detonação de uma granada de efeito moral lançada pela polícia — um tipo de armamento não-letal que tinha sido banido a mando do governo, após um adolescente de 15 anos também perder a mão durante um ato estudantil. A volta do equipamento foi autorizada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, para controlar eventuais distúrbios neste sábado. O gabinete de Nuñez relatou violência praticada por pessoas mascaradas durante protestos em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saque, ataques a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ações contra prédios públicos e veículos de imprensa. Em Lyon, um posto de informações turísticas foi incendiado no centro da cidade. Em Marselha e em Lille, integrantes das marchas invadiram as prefeituras à força, vandalizaram as dependências e saíram. O prefeito de Marselha, Benoît Payan, falou em "danos limitados" ao prédio público. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas e mascaradas que atiravam fogos de artifício e outros objetos contra os agentes de segurança na Praça da República, onde se concentrou o principal ato da capital. Grande parte das estações de metrô ao redor da Champs-Élysées, do Palácio do Eliseu e do Parlamento foi fechada a pedido da polícia. 'O povo vencerá' diz faixa aberta no alto de prédio na cidade de Montpellier. Protestos foram realizados em diversas cidades da França contra o alto custo de vida no país SYLVAIN THOMAS / AFP Quando um grupo com cerca 300 manifestantes tentou subir a avenida Champs-Élysées, onde ficam as lojas-conceito das grifes de luxo, a polícia atirou gás lacrimogêneo. Dezenas de lojas foram saqueadas ao longo do dia, incluindo uma butique da Hermès em Marselha e uma loja da Apple em Lille. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, emitiu uma declaração inicial de que "a esmagadora maioria dos manifestantes" queria "marchar com tranquilidade", mas que "atos de vandalismo" mancharam o protesto, que atraiu pessoas de todas as idades, inclusive famílias com crianças. Em uma segunda manifestação, quando os danos estavam sendo contabilizados, Gregoire afirmou que os mascarados incendiaram carros e saquearam lojas, deixando ruas "totalmente devastadas". Insatisfação geral Embora a pauta da convocatória tenha sido o custo de vida, pressionado em parte pela guerra no Oriente Médio, que ajudou a disparar a inflação na Europa e em outras partes do mundo, muitos dos franceses que saíram às ruas levantavam outras bandeiras como as questões climáticas. Nos últimos dias, o primeiro-ministro Sebastién Lecornu tentou responder à parte das reivindicações, anunciando novos recursos para o setor agrícola em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar baixar os preços e ajuda às cidades rurais, entre outras medidas. Os sindicatos, porém, cobram mais. A mobilização ocorre enquanto o governo tenta aprovar no Parlamento o orçamento de 2027, que prevê um forte ajuste fiscal de € 54 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões, na cotação atual) para sanear as contas públicas. De olho na eleição presidencial.

(Com AFP)

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