Do Chuí ao Oiapoque de caiaque: mineiro faz parada no Rio para conhecer praias e pontos turísticos antes de seguir viagem

Do Chuí ao Oiapoque de caiaque: mineiro faz parada no Rio para conhecer praias e pontos turísticos antes de seguir viagem - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O mineiro Diogo Henrique Aguiar, de 37 anos, chegou a Barra de Guaratiba no último sábado, e fez do local um ponto de parada na sua aventura de cerca de oito mil quilômetros entre o Chuí, no Rio Grande do Sul, e o Oiapoque, no Amapá. Hospedado na casa de um seguidor das redes sociais e com a embarcação guardada na Casa do Remo, ele espera condições favoráveis de mar e vento para seguir até o Pontal, no Recreio dos Bandeirantes.

A viagem, que começou em maio de 2025, planejada para durar aproximadamente três anos, combina longas jornadas de remada com estadias para conhecer os lugares e as pessoas pelo caminho. Vídeo: homem tenta capturar jacaré e é mordido; biólogos alertam para aumento de aparições em áreas urbanas

Crime ambiental: Estrutura irregular de quiosque é demolida na Praia da Reserva Após chegar de Ilha Grande, Diogo prevê que a próxima etapa será uma remada de 15 quilômetros até o Recreio, onde pretende passar uma noite.

Depois, planeja percorrer de 43 a 45 quilômetros pela orla carioca até a Baía de Guanabara, sem desembarques intermediários. A escolha, explica, busca evitar entradas e saídas em praias com ondas, manobras que exigem mais técnica.

Para cumprir o roteiro, procura uma janela de dois dias de tempo favorável. — A viagem não é só remar o litoral brasileiro.

É conhecer lugares, pessoas. Eu queria conhecer a Pedra do Telégrafo, conhecer um pouco da Barra de Guaratiba também — conta.

Diogo sendo recebido pela equipe da Casa do Remo, em Barra de Guaratiba Divulgação/Viviane Dandolini

A chegada ao bairro ocorreu depois de uma travessia de cerca de nove horas desde a Ilha de Jaguanum, passando pela Restinga da Marambaia. Diogo relata que havia ficado alguns dias acampado na ilha, à espera de melhora de um quadro gripal e de condições adequadas para remar.

Como os sintomas persistiam, decidiu aproveitar uma oportunidade de tempo bom para chegar ao continente, onde teria mais facilidade para procurar atendimento médico, se necessário. Em Guaratiba, a acolhida começou pelas redes sociais.

Fabrício Soares, que acompanhava os relatos da expedição, fez o convite para a parada. Viviane Dandolini, proprietária da Casa do Remo, disponibilizou espaço para guardar o caiaque, e Ricardo Leal, morador do bairro, ofereceu hospedagem.

O apoio inclui alimentação e permite que o viajante reduza os gastos enquanto aguarda a próxima saída. Durante a estadia, Diogo visitou a Pedra do Frade, uma gruta e uma piscina natural na região, além de praias dos arredores.

A subida à Pedra do Telégrafo também está nos planos. É o tipo de pausa que ele considera parte central da expedição, mesmo quando significa estender o calendário.

— Eu estou atrasado na minha viagem. Deveria ter chegado aqui no mês passado, mas não reclamo.

Afinal, quero viver viajando, conhecer lugares e pessoas é ponto chave desse estilo de vida — completa. Já é Natal: shoppings da Barra inauguram decoração e temporada de atrações especiais

Dois testes antes de partir Parada em Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul

Arquivo pessoal Nascido em Diamantina e criado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Diogo diz que viaja desde criança.

Aos oito anos, já fazia sozinho, de ônibus, o trajeto até o interior de Minas para passar as férias. Motorista de profissão, também percorreu muitos caminhos com ônibus de turismo e teve uma empresa de ecoturismo, a DNA Trekking, na qual atuava como condutor de trilhas.

A ideia de atravessar o país de caiaque surgiu em outubro de 2024, em Ubatuba, no litoral paulista, onde passava um tempo morando com a irmã. Lá, trabalhava na Praia da Fortaleza como vendedor de sovertes e também atuava no negócio de um amigo que alugava caiaques e procurava uma maneira de transformar o desejo de viver viajando em um projeto.

O contato com as embarcações de passeio levou à escolha do remo. Para testar a disposição, fez dois percursos com um caiaque emprestado: um de 14 quilômetros, acompanhado pela irmã e pelo cunhado em outra embarcação, e outro de 22 quilômetros.

Também participou de uma pescaria embarcada para observar como reagiria ao balanço da água. Não houve, segundo ele, treinamento específico de canoagem antes da partida.

Diogo já corria e praticava crossfit, mas começou a expedição sem acompanhamento nutricional ou preparação física voltada à travessia. Em maio de 2025, com o planejamento organizado e dinheiro reunido após um período de trabalho em Ubatuba e vendas de itens pessoais como móveis e eletrodomésticos, viajou para o Rio Grande do Sul.

Na busca por patrocínio para começar, conseguiu no início apenas um desconto de 20% na compra do primeiro caiaque, um modelo de pesca, entregue na pousada onde ficaria na Barra do Chuí. Foi com ele que percorreu aproximadamente 400 quilômetros, até receber uma embarcação oceânica emprestada por Guilherme Nolasco, a quem chama de padrinho na canoagem.

Perigo na Pedra da Gávea: Turista é resgatada em trecho perigoso da Carrasqueira; veja vídeo Ao todo, já utilizou três caiaques.

O atual, de sua propriedade, é um Inuk, produzido pela Tupi Caiaques, com o qual pretende concluir a viagem. A formação técnica veio depois dos primeiros 700 quilômetros, em Maquiné.

Ali, o instrutor Leonardo West lhe ofereceu um curso que incluiu técnicas de remada, autorresgate e entrada e saída do mar. Antes disso, parte do aprendizado ocorreu na convivência com outros remadores, que corrigiam movimentos e ensinavam como lidar com as condições encontradas.

Frio e susto na Lagoa Mirim O episódio mais difícil, conta Diogo, ocorreu ainda com o caiaque de pesca, durante uma travessia de cerca de 30 quilômetros na Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul.

Havia vento forte, e o dia terminou antes que alcançasse a outra margem. Quando escureceu, calcula, ainda faltavam aproximadamente dez quilômetros.

Diogo na chegada a São Lourenço do Sul (RS) Arquivo pessoal

Ele diz que precisou remar por horas de um único lado da embarcação para manter o rumo. Chegou por volta das 21h50 e, ao desembarcar, sentiu as pernas fraquejarem, caiu na água e passou a tremer intensamente.

Descreve o episódio como um quadro de hipotermia. — Eu tremia muito, não conseguia tirar as coisas do caiaque direito.

Mas estava sempre na minha cabeça: se seca, veste uma roupa quente e monta acampamento. Mas as pernas fraquejaram e o frio era intenso, aquela situação me assustou, mas mantive a fé— lembra.

Depois de montar a barraca, trocar de roupa e se aquecer, conseguiu passar a noite no local. Segundo seu relato, a temperatura estava em torno de 9 graus quando chegou à margem.

Hoje, o planejamento de cada etapa inclui a análise de vento, chuva, condições do mar, distância e possibilidades de desembarque. Diogo procura praias com pouca ou nenhuma onda e adota cerca de 50 quilômetros como limite para organizar uma jornada.

Mas em média rema cerca de 40 quilômetros, o que costuma exigir aproximadamente oito horas de remada, a depender das condições. Para a saída de Guaratiba, a necessidade de conciliar duas etapas consecutivas torna a espera pelo tempo favorável especialmente importante.

Embora tenha aprendido a desembarcar na arrebentação, ele prefere evitar a manobra quando há alternativas no roteiro. Qual é o segredo para envelhecer bem? Especialistas explicam o que fazer para viver mais e melhor

Uma casa dentro do caiaque A bagagem precisa reunir o necessário para remar, acampar e circular em terra.

Um compartimento funciona como despensa; outro recebe barraca, fogareiro, gás, panelas e utensílios. As roupas ficam na parte da frente: são cerca de dez mudas, entre peças para a água e para o dia a dia.

Completam a carga os produtos de higiene e dois carregadores portáteis para os equipamentos eletrônicos. — A minha casa está ali toda dentro do caiaque — resume.

Diogo estima despesas de R$ 2 mil a R$ 3 mil por mês, principalmente com alimentação. O valor varia conforme a necessidade de pagar hospedagem e os apoios recebidos.

Nas paradas anteriores a Guaratiba, calcula ter gastado cerca de R$ 300 com estadia em Ilha Grande e R$ 210 em Jaguanum. Os vídeos, fotografias e relatos publicados nas redes sociais ajudam a formar a rede de acolhimento.

Ao informar onde está e qual será o próximo destino, recebe convites que podem resultar em um lugar para dormir, refeições ou espaço para guardar a embarcação. A previsão é alcançar o Oiapoque em meados de 2028.

Se pudesse escolher, chegaria em 22 de junho, dia de seu aniversário. — Não é uma coisa em que estou pela velocidade, por chegar dentro da data.

Estou mais por conhecer lugares e pessoas e atrasar a viagem, se preciso, do que simplesmente sair remando e chegar dentro do prazo — revela. Diogo ainda conta com o apoio de parceiros com material de camping, apoio financeiro, e roupas de expedição.

Para apoiar sua aventura, é só entrar em contato pelo Instagram diogoh.aguiar.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →