O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou 0,2 pontos percentuais e chegou a 50,1% da renda anual em agosto, segundo relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira. É o maior nível registrado na série histórica do BC.
Isso significa que mais da metade de tudo o que as famílias ganham ao longo de um ano já corresponde a dívidas, como financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso do cartão de crédito. O cálculo inclui todas as obrigações das famílias junto aos bancos e faz parte da pesquisa "Estatísticas Monetárias e de Crédito", do BC.
Com o avanço do endividamento, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em agosto e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011. O indicador que mede o percentual do orçamento mensal que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,8% para 29%.
O endividamento das famílias tem sido um dos principais desafios econômicos do terceiro mandato de Lula e deve continuar no centro das preocupações do próximo governo. Apesar dos programas de renegociação de dívidas lançados pela atual gestão, o comprometimento da renda dos brasileiros com empréstimos e financiamentos voltou a crescer.
O nível de endividamento das famílias chegou a cair no início do terceiro governo, até dezembro de 2023, primeiro ano do mandato, quando ficou em 47,7%. Naquele ano, o governo lançou em julho o Desenrola, programa para renegociação de dívidas, que vigorou até maio do ano seguinte.
Mas o endividamento voltou a subir em meio ao novo ciclo de aperto monetário. A alta da taxa básica de juros, a Selic - iniciada em setembro de 2024 - encareceu o crédito e pressiona o orçamento.
A Selic chegou a 15% ao ano, e atualmente está em 13,75%. Em meio ao aperto no bolso das famílias, em maio deste ano o governo lançou uma nova versão do Desenrola, com descontos de até 90% para renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos.
A iniciativa se encerrou ao final de agosto, com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas. Em setembro, anunciou uma terceira etapa do programa, que prevê a compra de dívidas antigas pela União para facilitar a renegociação com os consumidores.
A expectativa do governo é alcançar até 15 milhões de pessoas, com o início dos novos acordos previsto para fevereiro de 2027.
O Globo