Dior é questionada por suposto uso de IA em animação apresentada como feita à mão

Dior é questionada por suposto uso de IA em animação apresentada como feita à mão - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A campanha de Natal da Dior virou alvo de críticas nas redes sociais após internautas levantarem suspeitas de que a marca teria utilizado inteligência artificial (IA) na produção de um curta-metragem divulgado como uma animação feita à mão. Intitulado "Christian Dior’s Night in Color", o filme foi dirigido pelo animador francês Sylvain Chomet e apresenta uma história inspirada na amizade entre o estilista Christian Dior e a atriz alemã Marlene Dietrich.

As acusações ganharam força depois que espectadores identificaram inconsistências visuais em diferentes cenas, como personagens com seis dedos, olhos desalinhados e letras deformadas. Estilo anel da Juliette: 4 opções que parecem caríssimas com preços surpreendentes

Mudança: Met Gala 2027 anuncia novo tema após cancelar retrospectiva de John Galliano O curta acompanha uma noite de inverno em Paris, em 1949, quando Christian Dior recebe a missão de criar um vestido para Marlene Dietrich.

A trama faz referência ao modelo Junon, uma das criações conhecidas da maison francesa, e apresenta personagens inspirados em figuras históricas e animais que ganham vida na animação. A produção também conta com participações de personalidades como Rihanna, Robert Pattinson, Josh O’Connor e LaKeith Stanfield na dublagem.

Detalhes na animação levantaram suspeitas Entre os detalhes identificados pelo público está uma cena em que a personagem de Marlene Dietrich aparece com seis dedos em uma das mãos.

Em outro momento, as mãos do personagem inspirado em Christian Dior apresentam deformações enquanto ele mantém os braços posicionados atrás do corpo. Espectadores também apontaram letras distorcidas em elementos da animação e um dos olhos de um personagem desalinhado.

As falhas foram associadas a erros frequentemente observados em imagens e vídeos produzidos por inteligência artificial generativa. As críticas se espalharam pelas redes sociais, com usuários questionando se a produção foi realmente desenhada à mão, como divulgou a marca, ou se contou com ferramentas de IA para completar movimentos e criar parte das imagens.

A plataforma Catsuka, especializada em animação e design gráfico, também comentou o caso. Inicialmente, o perfil não havia identificado problemas na produção, mas afirmou ter percebido possíveis sinais de inteligência artificial após analisar o curta com mais atenção.

A suspeita, segundo a plataforma, estaria principalmente nos intervalos entre os movimentos dos personagens, que poderiam ter sido preenchidos com recursos de IA. Dior apresentou produção como artesanal

A controvérsia ganhou outra dimensão porque a Dior havia apresentado o projeto como uma produção inteiramente artesanal. A marca informou que o filme levou meses para ser desenvolvido e destacou o trabalho de Chomet na criação das ilustrações.

Em uma declaração divulgada pela maison, o diretor afirmou que a equipe utilizou técnicas semelhantes às dos estúdios de animação da década de 1940. — Tudo é recortado, cada personagem é animado separadamente e, depois, tudo é montado diante dos cenários — explicou Chomet.

A Dior também divulgou um vídeo de bastidores com imagens do processo de criação e esboços dos personagens. No entanto, críticos apontaram que o material não seria suficiente para comprovar que todas as etapas foram realizadas manualmente.

Os créditos finais do curta apresentam uma pequena equipe de animadores, mas não fazem referência ao uso de inteligência artificial.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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