Diesel da Petrobras fica perto de defasagem máxima no ano

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Petrobras atende cerca de 70% do mercado doméstico de óleo diesel, combinando produção própria com importações do produto Lucas Tavares/Agência O Globo A manutenção da alta do petróleo no mercado internacional segue pressionando os preços do diesel da Petrobras. Nesta terça-feira (20), o diesel da estatal vendido às distribuidoras situou-se, em média, em R$ 3,26 por litro, 52,19% abaixo do produto importado do Golfo do México, que ontem chegava ao mercado brasileiro por R$ 6,82 por litro, também em média, segundo cálculos da consultoria StoneX. A diferença nominal entre o preço do diesel da Petrobras no mercado doméstico e o combustível importado atingiu nesta terça R$ 3,56 por litro, ainda de acordo com a StoneX. O valor fica perto do recorde de defasagem do diesel no ano, que ocorreu em 16 de setembro. Na ocasião, essa diferença bateu em R$ 3,81 por litro. Entre os fatores que pressionam a estatal a reajustar o diesel estão as altas margens globais de refino e o preço do petróleo. No combustível, há dificuldades de oferta no Oriente Médio e na Europa. O petróleo tipo Brent, por sua vez, alcançou ontem a maior cotação em cinco meses, atingindo US$ 111,99 no dia, para depois recuar e fechar a US$ 108,79, queda de 0,69% sobre a véspera. Pesou o otimismo de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro. Mesmo assim, os mercados permaneceram cautelosos. Em outubro, o Brent subiu 5,08% até ontem. No ano, o barril acumulava alta de 78,7%. Para o Itaú BBA, se os patamares permanecerem nos níveis atuais até o fim de 2026, a Petrobras não atenderia aos requisitos da política de preços na média anual. “Nesse cenário, a empresa precisaria implementar reajustes adicionais, a menos que os preços de mercado se ajustassem”, disse o banco em relatório. Após o primeiro turno das eleições, o governo anunciou novo subsídio que busca aliviar os efeitos internacionais sobre o mercado doméstico. Em 9 de outubro, foi acrescentada uma subvenção de R$ 1,40 por litro de diesel para o produto importado. O prazo da medida, válida por 30 dias a partir do anúncio, pode não ser suficiente para viabilizar grandes volumes de importação, dizem especialistas. O novo subsídio se somou aos R$ 2,12 por litro que já vigoravam. Pelos cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel da Petrobras está R$ 3,50 por litro abaixo do importado. A entidade reforça, porém, que não vê risco de desabastecimento. A Petrobras atende cerca de 70% do mercado doméstico de diesel, combinando produção própria e importações. As compras do exterior são mais utilizadas para incrementar o volume próprio em períodos de manutenções programadas de refinarias. Duas importantes unidades de refino da estatal estão com paradas programadas neste momento. A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, deve concluir os trabalhos em novembro, segundo a companhia. Já a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, deve terminar em outubro. Procurada para falar dos subsídios ao diesel, a Petrobras não respondeu até o fechamento desta edição. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse que agricultores receberão US$ 8 bilhões para compensar a alta do diesel na colheita, informou a Reuters.

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