Dia da Amazônia: biodiversidade da floresta inspira inovação na indústria da beleza

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Frutos, sementes e plantas da Amazônia podem estar mais próximos da indústria da beleza do que se imagina. Ingredientes encontrados na floresta são pesquisados, beneficiados e transformados em ativos utilizados em cosméticos, em um processo que envolve ciência, tecnologia e o trabalho de comunidades que vivem da biodiversidade.

A relação entre a floresta e os produtos de beleza é uma das frentes de atuação da Natura, que há mais de 25 anos desenvolve ingredientes de origem amazônica. A trajetória começou em 2000, com a criação da linha Ekos, e atualmente reúne 52 bioativos amazônicos no portfólio da empresa.

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Segundo a companhia, as cadeias produtivas envolvem comunidades agroextrativistas, cooperativas e instituições de pesquisa. Mais de 10 mil famílias participam dessas cadeias no Brasil.

“O desenvolvimento de um produto da Natura com bioativos da Amazônia começa com a descoberta da potência cosmética e o desenvolvimento desse insumo com as comunidades locais. É um processo que demanda cuidado e geração de impacto positivo em todas as etapas”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura.

Como um ingrediente da Amazônia vira cosmético?

O caminho entre a floresta e um produto de beleza começa antes da fabricação. A empresa pesquisa as características das espécies, os conhecimentos associados a elas e as possibilidades de cultivo e utilização na indústria.

Também são analisados aspectos como qualidade da matéria-prima, segurança, eficácia, estabilidade e capacidade de fornecimento. A intenção é garantir que a utilização dos ingredientes acompanhe os ciclos naturais e possa ser mantida ao longo do tempo.

Esse trabalho é desenvolvido em conjunto com comunidades fornecedoras, cooperativas, instituições científicas e outros integrantes da cadeia de inovação.

No Pará, parte desse processo ocorre no Ecoparque, centro tecnológico e industrial da Natura localizado em Benevides, na Região Metropolitana de Belém. Em funcionamento desde 2014, o complexo ocupa uma área de 172 hectares e concentra atividades de pesquisa e desenvolvimento de bioativos, processamento de ativos da biodiversidade amazônica e produção de sabonetes.

Cupuaçu, menta e baunilha estão entre os ingredientes

Entre os ingredientes amazônicos utilizados pela Natura estão o cupuaçu, a menta amazônica, a baunilha amazônica e o ajuru. As espécies são incorporadas a diferentes linhas de produtos após processos de pesquisa e beneficiamento.

A menta amazônica, por exemplo, é utilizada na linha Natura Ekos Equilibrivm, desenvolvida em parceria com a cantora Anitta. O ingrediente passa por etapas de cultivo e beneficiamento realizadas por comunidades da Amazônia antes de chegar às formulações.

Uma das estratégias adotadas é realizar parte do processamento próximo ao local onde a matéria-prima é produzida. Em uma das comunidades que cultivam a menta, o óleo é extraído em uma agroindústria local. Segundo a Natura, esse modelo pode aumentar em até 60% a geração de renda.

A empresa afirma ter desenvolvido 20 agroindústrias em comunidades da Amazônia.

A baunilha amazônica também é utilizada em uma linha de produtos que inclui hidratante corporal, creme para as mãos, óleo corporal, sabonete em barra e Frescor.

Já o cupuaçu, fruto tradicional da região, está presente na linha Ekos Cupuaçu, voltada para produtos de hidratação e cuidados com a pele.

No caso do ajuru, fruto encontrado em áreas de restinga do Pará, o ingrediente é utilizado na linha Chronos Derma como bioativo voltado aos cuidados com a pele.

Produção de cosméticos também movimenta comunidades

A cadeia de fornecimento de ingredientes amazônicos também envolve investimentos em comunidades. De acordo com a Natura, foram destinados R$ 62,39 milhões diretamente para comunidades da Amazônia em 2025, valor 29% maior que o registrado no ano anterior.

Entre as iniciativas está o Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, desenvolvido em parceria com a VERT Securitizadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

O programa reúne financiamento, assistência técnica, apoio à gestão de cooperativas e conexão com mercados. Até o fim de 2025, a iniciativa havia mobilizado R$ 41 milhões em investimentos diretos para comunidades amazônicas, segundo a empresa.

Outro modelo é o pagamento por serviços ambientais. Na comunidade RECA, em Rondônia, produtores recebem recursos pela conservação da floresta e pela produção de bioativos.

Um estudo realizado em 2025 pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) avaliou os resultados da iniciativa. Segundo os dados divulgados pela Natura, produtores participantes apresentaram renda média anual 37% superior à de produtores que não participavam do programa.

Reciclagem também faz parte da cadeia

A atuação da empresa na região inclui ainda iniciativas relacionadas à economia circular. Em Benevides, o projeto Benevides Recicla reúne a Natura, o poder público municipal, organizações parceiras e catadores em ações de coleta seletiva, gerenciamento de resíduos e geração de renda.

Os materiais recuperados podem voltar para a cadeia de produção de embalagens, reduzindo o volume de resíduos descartados.

Qual o futuro da biodiversidade amazônica na indústria?

A Natura afirma que pretende ampliar o uso de matérias-primas de origem amazônica nos próximos anos. A estratégia faz parte da chamada Visão 2050, apresentada pela companhia no ano passado, que estabelece a meta de tornar a empresa 100% regenerativa até 2050.

Nesse planejamento, a Amazônia é apontada como uma região estratégica para o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e modelos de geração de renda associados à biodiversidade.

A proposta também prevê ampliar os mecanismos de remuneração das comunidades que participam dessas cadeias, incluindo pagamentos por serviços ambientais.

“Nossa trajetória na Amazônia mostra que biodiversidade, inovação e desenvolvimento podem caminhar juntos. O nosso papel é contribuir para que esse modelo continue evoluindo, em parceria com diferentes atores e valorizando os conhecimentos, as pessoas e os territórios que fazem parte dessas cadeias”, afirma Ana Costa.

A relação entre floresta, ciência e indústria, portanto, não se resume ao uso de um fruto ou planta em um cosmético. Para a cadeia, o desafio é transformar a biodiversidade em produtos e renda sem romper com os ciclos naturais e com os territórios que mantêm esses recursos.

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