Detenção em Nova York e viagem à Ucrânia: investigação aponta possível identidade de Banksy e reacende debate sobre anonimato
Uma investigação da agência Reuters afirma ter reunido indícios que apontam para a possível identidade de Banksy, o artista de rua mais enigmático do mundo. O trabalho, que envolveu entrevistas, viagens e análise de documentos públicos em diferentes países, conecta pistas que vão de uma prisão em Nova York, no início dos anos 2000, a registros recentes de viagens em meio à guerra na Ucrânia.
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Ao longo da apuração, os repórteres esbarraram repetidamente em um mesmo obstáculo: o silêncio. Fontes ouvidas pela agência evitavam confirmar qualquer informação que pudesse expor o artista. “Não quero ser o tipo que revela o Banksy”, foi a resposta recorrente, segundo a reportagem.
A investigação ganhou força em 2022, quando novos murais atribuídos a Banksy surgiram em áreas devastadas por bombardeios russos na Ucrânia. Em uma dessas cidades, Horenka, moradores relataram a presença de três homens que chegaram em uma ambulância e produziram uma das obras — dois deles com o rosto coberto.
Uma testemunha local afirmou ter visto os artistas sem máscara e foi apresentada a fotos de nomes frequentemente associados ao grafiteiro. Entre eles estavam o britânico Robin Gunningham, apontado como Banksy desde 2008, e Robert Del Naja, músico da banda Massive Attack e figura histórica da cena do grafite em Bristol.
A reação da testemunha não foi conclusiva, mas abriu novas linhas de investigação. A Reuters confirmou, por meio de registros de imigração, que Del Naja esteve na Ucrânia exatamente no período em que os murais apareceram. Outro nome que surgiu nos documentos foi o de um homem identificado como David Jones, com datas de entrada e saída idênticas às de outros integrantes do grupo.
Segundo a agência, uma fonte confirmou que a data de nascimento associada a esse passaporte corresponde à de Robin Gunningham. A combinação desses elementos levou os repórteres a concluir que “David Jones” pode ser o nome atualmente utilizado pelo artista.
A apuração também recupera um episódio ocorrido em Nova York, em 2000, quando um homem foi detido por vandalizar um outdoor. Documentos policiais obtidos pela Reuters mostram que o suspeito assinou como Robin Gunningham — reforçando a ligação com o nome apontado anteriormente pela imprensa britânica.
Ainda assim, o quebra-cabeça permanece incompleto. O próprio artista não respondeu aos questionamentos da Reuters. Já seu advogado pediu que a reportagem não fosse publicada, argumentando que a exposição da identidade poderia colocar Banksy em risco e comprometer sua obra.
Ex-agente do artista, Steve Lazarides acrescentou uma nova camada ao mistério ao afirmar que “Robin Gunningham” não existiria mais, indicando que o nome teria sido alterado legalmente anos atrás — sem revelar qual seria a nova identidade.
A decisão da Reuters de publicar a investigação reacende um debate antigo no mundo da arte: até que ponto o anonimato de Banksy deve ser preservado. Para a agência, o impacto global do artista — que transita entre crítica social, mercado milionário e influência política — justifica o escrutínio público.
Nem todos concordam. Artistas de rua ouvidos pela reportagem questionam se Banksy não estaria sendo tratado de forma diferente das demais pessoas que atuam fora da legalidade. Ao mesmo tempo em que é celebrado, dizem, ele também permanece protegido por um anonimato que poucos conseguem manter.
