Despesas, juros e mão de obra freiam expansão das franquias

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O franchising está otimista em relação ao crescimento, apesar das pressões de custos, juros e falta de mão de obra. Mapeamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a Associação Brasileira de Franchising (ABF) e o Sebrae mostra que 92% dos franqueadores pretendem abrir unidades no próximo ano, 85% esperam ter melhora no desempenho e 60% planejam contratar pessoas.

Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (29), durante o evento ABFCon 2026, em Una (BA). Esse apetite pela expansão convive com desafios importantes.

Carga tributária (para 55%), mão de obra (50%), juros e acesso ao crédito (34%) são as principais preocupações dos franqueadores. Os donos das redes veem outros entraves à expansão: 42% têm dificuldade para obter crédito e 55%, para contratar e reter mão de obra.

A implementação da reforma tributária influencia as respostas dos franqueadores, com impactos diferentes nas redes de franquia, dependendo do segmento de atuação e da cadeia de fornecimento, entre outros fatores. “Os franqueadores passam a olhar qual é o regime tributário dos fornecedores que serão mantidos porque geram crédito, por exemplo.

É preciso haver um entendimento, e muitos já têm, de qual é o cruzamento entre geração de crédito e alíquota efetiva, e indicar para os seus franqueados o melhor modelo”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF. Em sua primeira edição, o estudo Mapeamento do Franchising Brasileiro foi realizado a partir das bases cadastrais da ABF, além de informações públicas de fontes oficiais, com duas frentes de produção.

Na primeira, o levantamento contou com o uso de técnicas de mineração de dados e inteligência artificial para identificar e caracterizar as empresas franqueadoras e franqueadas. Na segunda, reuniu pesquisas de opinião e percepção para observar avaliações, experiências, desafios e expectativas dos franqueadores.

Os pequenos negócios têm maior peso na estrutura do franchising. Microempresa (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) totalizam 88% das operações franqueadas (respectivamente, 64% e 24%).

Alimentação é o segmento com maior participação (29% das operações), seguida por Saúde, Beleza e Bem-Estar (22%), Serviços e Outros Negócios (13%) e Moda (11%). Do lado das franqueadoras, as redes de menor porte são maioria.

Segundo o estudo, 61% das redes têm até 30 operações, um quarto (25%) possui entre 31 e 100 e 13% contam com mais de 100 operações. Apenas 1% das franqueadoras tem acima de 1 mil unidades.

Mesmo com preocupações sobre custos e mão de obra, o desempenho do setor tem sido positivo em 2026. Segundo a pesquisa, 59% dos franqueadores afirmam que o faturamento de suas redes cresceu ou cresceu muito neste ano, na comparação com o ano passado, e 24% relatam estabilidade.

De acordo com dados da ABF, no primeiro semestre de 2026, o franchising brasileiro faturou R$ 149 bilhões, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. Para o presidente da ABF, as preocupações macroeconômicas têm sido superadas pelo franchising pela combinação de diferentes fatores.

Um dos principais deles é o crescimento de multifranqueados. “Franqueados mais experientes são capazes de captar mais valor”, diz Leite.

Atualmente, segundo o estudo, 88% das redes pesquisadas possuem franqueados que operam mais de uma unidade da mesma marca. Desses, 40% têm de 5% a 20% de participação de multifranqueados na rede e 20% têm de 21% a 40% da rede formada por operadores multiunidades.

Inteligência artificial e automação são consideradas pelas franqueadoras as transformações mais importantes para o franchising, citadas por 33%. Na sequência, estão profissionalização da gestão (21%), mudanças no comportamento do consumidor (18%), novos formatos (8%) e digitalização e e-commerce (8%).

Segundo o levantamento, 75% das redes já utilizam a tecnologia em pelo menos um processo, enquanto outras 14% estão em fase de testes. Marketing e produção de conteúdo (77%), atendimento ao cliente (68%) e operação e produtividade (54%) são os usos mais comuns de IA nas operações.

Pouco mais da metade dos franqueadores pesquisados (53%) avalia como avançado o uso de plataformas digitais na comunicação e na gestão da rede; para 45%, esse uso é básico ou intermediário. Para Decio Pecin, vice-presidente da ABF, a inteligência artificial será uma das principais ferramentas para apoiar os empreendedores diante das próximas mudanças políticas e econômicas, incluindo desafios impostos pelo fim da escala 6x1, com início previsto para dezembro.

“A gente não pretende trocar o ser humano pela IA, mas, neste momento, ela é um componente importante para aceleração de processos e ganho de eficiência”, afirma. A presença da tecnologia não muda a predominância de negócios físicos.

Entre as redes pesquisadas, 86% estão presentes em lojas de rua, 17% em quiosques e 5% em operações de autosserviço. Fora das ruas, 17% contam com operações home-based, 13% com e-commerce próprio, 10% com operação híbrida ou multicanal e 7% com marketplace.

As jornalistas viajaram a convite da Associação Brasileira de Franchising (ABF)

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