Desistir de uma onda não é desistir do mar

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Aprender a desistir do que não podemos controlar é também uma forma de cuidar de nós mesmos, preservar a energia e encontrar novos caminhos com esperança e equilíbrio. Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

Voltei! Depois de um curto período de recesso em busca de novas histórias inspiradoras, cá estou eu trazendo mais reflexões para a nossa semana. E o que fiz durante esse tempo? NADA.

Que coisa boa! Sem culpa, sem agenda, sem correria e sem olhar para o relógio. Resolvi o que tinha que ser resolvido e estava ao meu alcance.

Digo isso porque muitos de nós temos o hábito de querer resolver até o impossível. Isso nos custa tanto que às vezes nem percebemos que tentar resolver o que não tem solução é perda de tempo, de saúde física e mental, de energia.

Mesmo assim, “tentamos”. Será que tem a ver com a famosa frase “sou brasileiro(a) e não desisto nunca”?

Por que fizeram isso conosco, né? Desistir às vezes é a decisão mais inteligente que você pode tomar, e para o seu próprio bem. Eu, particularmente, aprendi à duras penas, que posso fazer diferente.

Hoje, quando percebo que estou gastando energia com algo que não vai mudar, o famoso “dando murro em ponta de faca”, simplesmente paro. Saio do grupo, da discussão, da expectativa, do momento, mas sem drama, sem precisar dar explicação para ninguém, simplesmente me afasto.

Descobri que sair de cena na hora certa também é uma forma de me cuidar. Fiquei pensando em como somos induzidos, treinados ou até “preparados” para encarar a vida sem nunca baixar a guarda da esperança.

Me lembrei de uma frase do grande escritor brasileiro Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato.

Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” Com aquele humor afiado de quem conhecia o Brasil por dentro, Ariano resumiu em três frases o que muita gente leva a vida inteira para entender.

Ele não pede para a gente escolher um lado. Ele pede equilíbrio.

E ele sabia do que falava. Basta lembrar de João Grilo, de O Auto da Compadecida.

Ele não era otimista nem pessimista: era esperto. Via a fome, a injustiça e a falta de saída com toda a clareza do mundo e, mesmo assim, inventava um jeito de seguir.

Tem coisa mais brasileira e mais esperançosa do que isso? Talvez seja por isso que aquele “nada” do meu recesso tenha rendido tanto.

Às vezes não fazer nada é o jeito mais honesto de separar e cuidar do que realmente é nosso do que nunca foi. Quem convive com o mar sabe disso.

Quando a onda vem grande, não adianta fingir que ela não está ali. Esse é o otimista, que leva o caldo, embora nem sempre sorrindo.

Também não adianta ficar na areia reclamando do tamanho do mar. Esse é o pessimista, que nunca se molha.

O realista esperançoso olha a onda, respeita, respira fundo e mergulha por baixo dela. Ele sabe que ela vai passar e que, do outro lado, a água costuma estar mais calma.

O mar, aliás, é o maior professor de humildade que eu conheço. Ele não negocia, não se importa com a sua pressa e não lê o seu planejamento.

Só responde a quem aprende a ler o movimento dele. E você? Já parou para pensar no que você está tentando resolver que, no fundo, não depende de você? Solte.

Não por fraqueza, mas por estratégia. Guarde sua energia para o que tem conserto, para quem merece sua presença e para os sonhos que ainda cabem nas suas mãos.

A esperança de verdade não promete mar calmo. Ela te ensina a nadar.

E é com essa esperança, bem realista, que estou de volta.

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