Outrora um dos swing states – aqueles estados onde o pêndulo político se alterna a cada eleição – mais divididos dos Estados Unidos, a Flórida tem se inclinado constantemente aos republicanos nas últimas décadas. Na eleição presidencial de 2000, os democratas eram mais numerosos, em uma vantagem que foi se dissipando até 2021, quando os republicanos ultrapassaram: hoje, eles são 1,5 milhão a mais dentro dos quase 8 milhões de eleitores registrados.
Um grupo essencial dentro desse eleitorado, no entanto, pode criar problemas para o sucesso republicano nas eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça-feira, 3. Segundo especialistas e dados, o eleitorado latino tem se desiludido com o presidente Donald Trump – não por maior entusiasmo com os democratas, mas por insatisfação com o status quo.
+ Corrupção preocupa mais que imigração na reta final das eleições nos EUA, aponta pesquisa “No que diz respeito às eleições, o resumo é descontentamento, não entusiasmo”, diz Clarissa Martínez de Castro, vice-presidente da Iniciativa de Voto Latino da organização sem fins lucrativos UnidosUS, citando uma pesquisa feita por sua organização.
Continua após a publicidade Embora Trump, claro, não esteja na cédula eleitoral, os eleitores usam as eleições de meio de mandato para avaliar o presidente, e um resultado impopular prejudica os candidatos de seu partido.
Uma pesquisa interna vista pelo site Politico mostra que a corrida pelo Senado está se acirrando e dentro da margem de erro, com 47% para a deputada estadual Angie Nixon, democrata, e 49% para a republicana Ashley Moody, que entrou no Senado em 2025 quando Marco Rubio renunciou para se tornar secretário de Estado americano sob Trump.
Quanto desse descontentamento se traduzirá em eleitores mudando de partido na hora da votação é incerto, mas um quinto dos entrevistados pela UnidosUS que apoiaram Trump em 2024 disseram que, se pudessem voltar atrás, não o fariam. Há dois anos, justamente por causa dos latinos, o presidente se tornou o primeiro candidato republicano a vencer em Miami (a segunda cidade mais populosa da Flórida) desde George H.W.
Bush, em 1988. Continua após a publicidade
Em pesquisa recente da YouGov, o democrata David Jolly, candidato ao governo da Flórida, estava vencendo entre os eleitores latinos por 5 pontos percentuais em sua disputa contra o republicano Byron Donalds. Assim como para todos os outros grupos de eleitores, a principal preocupação é o bolso.
Na pesquisa Univision/YouGov de outubro, 70% dos entrevistados desaprovaram a forma como Trump lidou com o custo de vida, e 40% disseram que suas finanças domésticas estavam um pouco ou muito piores do que um ano atrás. Continua após a publicidade
Na disputa à Câmara dos Deputados pela região de Miami, por exemplo, a deputada republicana Maria Elvira Salazar tem uma vantagem apertada em um distrito onde ela venceu pela última vez com folga de 21 pontos. Em um anúncio publicitário recente, a própria candidata afirmou que os mesmos eleitores latinos que ajudaram a eleger Trump à Casa Branca “agora se sentem traídos”.
O anúncio de Salazar reflete a crescente indignação entre os eleitores hispânicos, cujas vidas e comunidades foram afetadas pela repressão do governo Trump contra as comunidades imigrantes. Quando sindicatos de Miami bateram em 320 mil portas entre março e junho e perguntaram aos eleitores como se sentiam em relação à imigração, 58% disseram estar decepcionados e 19% disseram estar com raiva.
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