Discursos de Trump têm se tornado mais confusos, afirma mídia dos EUA

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente Donald Trump chega para discursar durante um comício de campanha no Rock Hill Sports and Event Center, na Carolina do Sul AP/Alex Brandon

Em meio à campanha para as eleições de meio de mandato de terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem demonstrado episódios de confusão verbal, lapsos de memória e discursos de difícil compreensão. Neste domingo (1.º), o jornal The New York Times publicou uma nova análise de suas aparições públicas, apontando que, aos 80 anos, o republicano está mais prolixo, repetitivo, mais grosseiro em seu vocabulário e menos coerente do que era quando disputou sua primeira eleição presidencial, em 2016.

O NYT notou que, embora o presidente demonstre disposição física para percorrer o país em campanha, suas intervenções têm produzido questionamentos sobre sua idade e estabilidade. “Ele pode ser esquecido e repetitivo.

É mais prolixo, mais profano e mais absoluto em suas afirmações do que quando concorreu à Presidência uma década atrás. Seus discursos divagantes parecem, às vezes, ainda mais confusos”, afirma o jornal.

Segundo a publicação, há comentários do presidente que deixam os ouvintes sem entender exatamente a que ele se refere ou que parecem expressar algo diferente do que pretendia dizer. Outros veículos também têm levantado questionamentos sobre os episódios de confusão retórica de Trump.

A revista The New Republic cita um comício em Iowa, do dia 23, quando o presidente começou um discurso em que misturou acusações em declarações sem sentido, interrupções e termos confusos, supostamente vinculados ao candidato democrata ao Senado Abdul el-Sayed. “Se você não quer comunistas controlando o Senado, que está entre jaiiiit (sic)...

Ele é um jihadista”, discursou. Ao queixar-se de não ter recebido o Nobel da Paz, confundiu o prêmio com o Pulitzer, registrou o site americano Daily Beast.

O Nobel tinha sido concedido à juíza sul-africana do Tribunal Penal Internacional, Navy Pillay, de 85 anos. “Eles deram o Prêmio Pulitzer a uma jovem — acho que ela tem 80 anos — uma jovem de quem ninguém nunca ouviu falar”, disse.

A nova reportagem do NYT dá continuidade a uma investigação publicada pelo próprio jornal em 6 de outubro de 2024, assinada por Peter Baker e Dylan Freedman. Na ocasião, eles compararam discursos, entrevistas e declarações de Trump ao longo dos anos, identificando mudanças em sua linguagem e em seu padrão de comunicação.

A análise do Times mostrou que a duração média dos discursos em comícios havia passado de 45 minutos, em 2016, para 82 minutos em 2024. O uso de palavrões aumentou 69%.

O jornal identificou ainda aumento de 13% no emprego de expressões absolutas, como “sempre” e “nunca”. A reportagem ouviu Sarah Matthews, ex-vice-secretária de imprensa da Casa Branca, que deixou o governo depois do ataque ao Congresso, em janeiro de 2021.

“Seus discursos mais recentes parecem ser mais incoerentes, ele divaga ainda mais e tem apresentado alguns momentos de confusão bastante perceptíveis”, afirmou. Ela observou que essas características talvez não chamassem tanta atenção quando Trump disputava a eleição contra Joe Biden — cuja agilidade mental causou um fiasco histórico no primeiro debate da campanha presidencial de 2024, que custou a candidatura à reeleição do democrata.

O jornal também ouviu o neurologista Bradford Dickerson, da Universidade Harvard. Ele ponderou que mudanças na maneira de falar podem acompanhar o envelhecimento normal, mas acrescentou que alterações perceptíveis em relação ao padrão anterior de uma pessoa, num intervalo de poucos anos, “levantam alguns sinais de alerta”.

O próprio estudo do New York Times, porém, ressalvou que a complexidade linguística de Trump permaneceu relativamente estável nos anos analisados, apesar das mudanças no conteúdo, na extensão e no tom de seus discursos. As dúvidas também foram manifestadas por antigos integrantes do governo.

Mark Milley, que presidiu o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas durante o primeiro mandato de Trump, mencionou suspeitas sobre um possível declínio mental do presidente em conversa com o jornalista Bob Woodward, em 2023. A declaração foi reproduzida no livro “War”, publicado em 2024.

Trata-se de uma percepção pessoal do general, não de uma avaliação médica. Trump rejeita as críticas e afirma ter sido aprovado em testes cognitivos.

Seus representantes também sustentam que ele mantém energia e disposição superiores às de outros políticos.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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