Lula retomará agenda internacional com COP31, Mercosul e G20, com possibilidade de encontro com Trump

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou sua participação em quatro compromissos internacionais até o fim de 2026, incluindo a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), a cúpula do Mercosul e a reunião do G20, que será realizada nos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.

A programação marca a retomada das viagens internacionais do chefe do Executivo após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. Segundo informações da CNN Brasil, a definição ocorreu depois de uma reunião entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio da Alvorada, na última semana.

O chanceler recebeu a autorização presidencial para os compromissos e discutiu os detalhes das viagens, que estavam condicionadas ao resultado eleitoral. A agenda começa em novembro, com a participação de Lula na COP31, em Antália, na Turquia, nos dias 11 e 12.

Em seguida, o presidente viajará às Filipinas, onde realizará uma visita de Estado no dia 13 e participará de compromissos relacionados à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nos dias 14 e 15. Em dezembro, Lula deverá comparecer à cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, nos dias 4 e 5.

O último compromisso previsto é a reunião do G20, na Flórida, nos Estados Unidos, em meados de dezembro. A reportagem apresenta datas divergentes para esse encontro: menciona inicialmente os dias 15 e 16, mas posteriormente indica 14 e 15 de dezembro.

G20 pode colocar Lula e Trump frente a frente A participação na reunião do G20 ganha relevância diante das recentes tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Embora os dois presidentes devam comparecer ao encontro, ainda não existe uma reunião bilateral oficialmente agendada entre Lula e Donald Trump. Será a primeira ocasião em que os dois líderes estarão no mesmo ambiente desde a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil para os Estados Unidos.

Segundo o jornal The New York Times, existem suspeitas de que a Casa Branca tenha colaborado para viabilizar a saída do parlamentar. Outro ponto de tensão envolve a postura de Trump diante do resultado das eleições brasileiras.

O presidente norte-americano ainda não parabenizou Lula pela vitória e, nos últimos dias, levantou suspeitas de fraude na votação sem apresentar provas. Apesar disso, declarou manter uma boa relação pessoal com o presidente brasileiro.

O último encontro presencial entre Lula e Trump ocorreu em maio deste ano, durante uma visita oficial do brasileiro à Casa Branca. A reunião durou aproximadamente três horas e foi descrita pelos presidentes como “muito bom” e “produtivo”.

Em agosto, os dois voltaram a conversar por telefone durante cerca de uma hora e meia. Na ocasião, Lula defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e solicitou que Trump não interferisse no processo eleitoral do país.

Cúpula do Mercosul pode reunir Lula e Milei em meio à crise diplomática Outro compromisso de destaque será a reunião do Mercosul, marcada para dezembro, em Montevidéu.

O encontro poderá proporcionar uma aproximação entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei, caso o argentino confirme sua participação. A relação entre os dois governos atravessa um período de deterioração diplomática.

As críticas recorrentes de Milei ao governo brasileiro levaram Lula a determinar o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires e a orientar que o representante argentino também regressasse ao seu país, reduzindo o nível da representação diplomática bilateral. Integrantes da equipe internacional do Palácio do Planalto avaliam que ainda não existem condições políticas para autorizar o retorno do embaixador argentino.

A situação se tornou mais delicada diante das discussões sobre uma possível participação do governo de Milei na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. A decisão do governo argentino de não divulgar uma manifestação reconhecendo a vitória eleitoral de Lula no último domingo (25) também contribuiu para o agravamento das relações.

Milei já havia demonstrado resistência ao Mercosul ao cancelar sua participação na cúpula realizada em junho, em Assunção, no Paraguai. O presidente argentino defende mudanças nas regras comerciais do bloco, argumentando que o atual modelo limita a capacidade de negociação internacional da Argentina.

O chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, descartou a possibilidade de seu país atuar como mediador do conflito diplomático, embora tenha defendido uma redução das tensões entre os presidentes. Além das questões políticas, a reunião terá uma pauta econômica relevante.

Os países do Mercosul buscam definir a distribuição das cotas de exportação com isenção tarifária previstas nas negociações comerciais com a União Europeia. O bloco também mantém esforços para ampliar sua presença internacional.

Na última cúpula, realizada no Paraguai, foi anunciado oficialmente o início das negociações com o Japão para um acordo de associação econômica e cooperação. O encontro de dezembro também marcará o encerramento da presidência temporária exercida pelo Uruguai à frente do Mercosul.

Lula buscará ampliar relações comerciais com países do Sudeste Asiático A passagem de Lula pelas Filipinas terá como um de seus principais objetivos o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas com os países do Sudeste Asiático.

O presidente realizará uma visita de Estado em Manila, no dia 13 de novembro, com previsão de assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e Filipinas. Esse tipo de compromisso representa o nível mais elevado das visitas diplomáticas e pode envolver reuniões entre chefes de Estado, ministros, representantes dos Legislativos e cerimônias oficiais.

A viagem integra uma estratégia do governo brasileiro para ampliar o comércio e os investimentos com os integrantes da Asean, organização que reúne 11 países: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste. Juntas, essas economias representam um Produto Interno Bruto estimado em US$ 4 trilhões, o que coloca a associação entre os principais blocos econômicos do mundo.

A aproximação diplomática já vinha sendo desenvolvida pelo Itamaraty. Em outubro, Mauro Vieira visitou Singapura e Tailândia para fortalecer o diálogo com governos da região.

Em agosto, Lula e o ministro receberam em Brasília a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro, em mais uma etapa das negociações bilaterais. COP31 marcará transferência da presidência climática brasileira à Turquia

Na área ambiental, Lula participará da COP31, programada para os dias 11 e 12 de novembro, em Antália, na Turquia. Durante o evento, o Brasil transferirá oficialmente ao país anfitrião a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

O governo brasileiro assumiu essa responsabilidade durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém, no Pará. A equipe internacional do Palácio do Planalto ainda prepara o discurso que Lula deverá apresentar na conferência.

A expectativa é que o presidente defenda o fortalecimento dos mecanismos multilaterais de enfrentamento às mudanças climáticas. A participação brasileira ocorrerá em um momento de transição na condução das negociações internacionais sobre o clima, após o país ter ocupado posição central na organização e na presidência da conferência anterior.

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