Derrotado no Ceará, Ciro diz que PT 'tomou a eleição' e cita 'país apodrecido' ao atacar o Judiciário: 'Fomos roubados'

Derrotado no Ceará, Ciro diz que PT 'tomou a eleição' e cita 'país apodrecido' ao atacar o Judiciário: 'Fomos roubados' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Candidato derrotado ao Executivo do Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) repudiou o resultado de domingo e afirmou que a “organização criminosa” do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) “tomou as eleições”. O petista venceu a disputa em primeiro turno com 53,1% dos votos, contra 46,2% do tucano.

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Em manifestação realizada nesta terça-feira, Ciro agradeceu os quase 2,5 milhões de votos recebidos, mas destacou que “não foram suficientes para vencer a mais poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial da história do Ceará”. “Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, disse Ciro, que afirmou não ter cumprimentado Elmano após o resultado das urnas.

O tucano alegou ter feito uma reclamação à Justiça e alegou “não acreditar nela neste país apodrecido”. Ciro critica uma decisão tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Tofffoli, que autorizou propaganda extra de Elmano no rádio e televisão no dia anterior ao primeiro turno.

“Ele autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seus senadores durante a sexta e o sábado, quando a lei, muito clara, veda a propaganda nestes dois dias que antecedem ao pleito. Quantos cearenses aderiram ao PT por causa desta inédita bateria de propaganda? (Eram até três comerciais por intervalo)”, questiona o tucano.

Ao encerrar a manifestação, Ciro voltou a atacar o PT: “Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro.

A República brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram no domingo”, concluiu. Disputa acirrada

A reta final da campanha no Ceará mostrava um cenário de empate técnico e indefinição. O legado político no estado e a visibilidade que obteve nas campanhas presidenciais de que participou não foram suficientes para a manutenção da ampla frente aberta por Ciro, que viu Elma escalar na reta final.

Numa corrida voto a voto, os candidatos acenaram aos eleitores indecisos para conquistar apoio de última hora: Ciro focou na segurança, e Elmano buscou se associar ao presidente Lula e ao antecessor no Palácio da Abolição, Camilo Santana (PT). Oposição unificada

Após sair derrotado em duas eleições seguidas ao Planalto, Ciro se filiou ao PSDB no ano passado para disputar o governo do Ceará. A articulação partiu do ex-governador Tasso Jereissati, maior liderança tucana no estado.

A principal frente da campanha envolveu o discurso de combate ao domínio territorial de facções e à infiltração do crime organizado em instituições. O tucano criticou a atuação de Elmano no campo.

O petista, por outro lado, apostou na construção de um palanque com lideranças populares no Ceará. Foi montada uma espécie de força-tarefa, na qual aliados percorriam o estado em agendas individuais ou coletivas destacando entregas do governo petista.

Integram este grupo Camilo Santana e os candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) — rompido com o irmão Ciro desde 2022 — e Luizianne Lins (Rede). Outra estratégia adotada pela campanha de Elmano foi a associação de Ciro ao bolsonarismo cearense.

Embora tenha recusado oferecer palanque a Flávio Bolsonaro na corrida pelo Planalto, o tucano tem o apoio do PL e abriga um postulante da sigla ao Senado em sua chapa. Em entrevista ao GLOBO, Elmano acusou o rival de tentar enfraquecer Lula no Nordeste para beneficiar a direita.

O seu entorno trabalhou para impedir que o eleitor lulista apoiasse Ciro. No segundo turno de 2022, o presidente venceu nos 184 municípios do Ceará.

O movimento é evidente no jingle do governador que afirma, inclusive, que “Elmano é Lula, Lula é Elmano”. Aliados do tucano, por sua vez, apostaram na campanha “Lula lá, Ciro cá”, defendendo um voto casado no tucano e no presidente.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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