No dia 30 de outubro de 2026, o Banco Central informou que o déficit primário acumulado em doze meses pelo setor público recuou para 0,52% do Produto Interno Bruto em setembro. O percentual equivale a um quarto do patamar registrado dois anos antes, quando o saldo negativo batia 2,12%.
O resultado primário mede a diferença direta entre a arrecadação de impostos e os gastos com saúde, educação, previdência e obras, deixando de fora a conta de juros. Confrontar sempre o mesmo mês elimina distorções do calendário de tributos federais e estaduais.
A curva das contas públicas em setembro Em setembro de 2023, primeiro ano de recomposição do orçamento social para programas de renda e merenda escolar, o buraco acumulado somava 0,95% da riqueza nacional.
O governo federal retomava obras paralisadas em milhares de cidades. A subida para 2,12% observada no ano seguinte nasceu de duas despesas extraordinárias concentradas em 2024.
A União quitou de uma só vez o estoque bilionário de dívidas judiciais definitivas empurrado pela gestão anterior e abriu crédito de socorro para reconstruir o Rio Grande do Sul após as enchentes de maio. Superado esse pagamento excepcional de precatórios atrasados, o balanço operacional do Estado encolheu rapidamente.
Na leitura de setembro de 2025, a necessidade de financiamento caiu para 0,27% do produto anual. Neste ano, o indicador fechou o terceiro trimestre em 0,52%.
As receitas correntes de tributos já cobrem quase todo o custeio da máquina pública e os investimentos federais. Arrecadação pelo emprego e superávit nos estados
A melhora fiscal entre 2024 e 2026 não veio de pacotes recessivos nem do congelamento de benefícios previdenciários. O equilíbrio brotou da geração de vagas com carteira assinada, que ampliou a massa salarial e elevou a contribuição ao caixa público.
A cobrança sobre fundos exclusivos de super-ricos e casas de apostas eletrônicas também reforçou a receita do Tesouro Nacional sem penalizar os trabalhadores. Quando a atividade produtiva gira mais rápido, o recolhimento cresce sem aumento de alíquotas para a indústria.
Outro pilar decisivo desse resultado mora nos cofres dos vinte e sete governos estaduais e das prefeituras. Os balanços subnacionais mostram superávit primário consistente ao longo de 2026, puxado pelo tributo estadual sobre mercadorias e pelo imposto municipal sobre serviços.
Com arrecadação própria em alta e transferências federais em dia, governadores e prefeitos entregaram rodovias, hospitais e creches. Esse saldo positivo das administrações locais ajudou a segurar o consolidado do país perto da estabilidade.
O desempenho mensal do Tesouro Nacional O recorte isolado dos últimos meses confirma a recuperação do caixa federal.
Em agosto de 2026, o Governo Central já havia registrado sobra de 10 bilhões de reais. Trinta dias depois, o balanço da União fechou novamente no azul, somando 5,5 mil milhões no saldo positivo de setembro.
Dois resultados mensais consecutivos com receita acima do gasto afastam qualquer risco de paralisação de serviços essenciais no fim do exercício. Separar o orçamento primário do custo financeiro da dívida permite enxergar a realidade orçamentária sem alarmismo especulativo.
Com déficit operacional de meio ponto percentual do produto, o Estado brasileiro mantém suas políticas sociais cabendo dentro da arrecadação.
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