A defesa de Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance do Banco Master, apresentou nesta sexta-feira (6) uma manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra seu indiciamento pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Os advogados negam que ele tenha participado das negociações entre o Master e o BRB.
A manifestação foi protocolada dois dias após o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, estabelecer prazo de 15 dias para a PGR se pronunciar sobre o relatório, que indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas. No documento, os advogados afirmam ter analisado 362 registros de conversas reunidos pelos investigadores e identificado apenas 5 menções a Bull.
Segundo a defesa, o ex-diretor não integrava os grupos utilizados para discutir as operações com a empresa Tirreno. A Polícia Federal, por outro lado, sustenta que Bull participou da formalização de contratos de cessão de créditos entre a Tirreno e o Master, assinou informações ao Banco Central e integrou uma decisão interna relacionada a alertas de movimentações suspeitas.
Segundo os investigadores, em julho de 2025, Bull participou de um comitê que decidiu encerrar os alertas de prevenção à lavagem de dinheiro envolvendo a Tirreno. A empresa havia sido classificada como cliente de alto risco, mas o colegiado não recomendou o envio de comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A defesa reconhece que Bull integrava o comitê, mas afirma que as decisões foram tomadas com base nas informações apresentadas aos seus membros. Os advogados argumentam que a assinatura não comprova, por si só, conhecimento de irregularidades.
Em depoimento à PF, em janeiro, Bull afirmou que assinava alguns documentos “sem ler”, por confiar nas análises das equipes jurídicas internas e externas do banco. Ele também declarou que acumulava responsabilidades em diferentes áreas, em razão da estrutura reduzida da instituição, que contava com quatro diretores, incluindo Daniel Vorcaro.
Diario do poder