Decisão de Fachin estanca crise no STF, mas reforma do Judiciário é necessária, dizem empresários

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os empresários que se reuniram na tarde de quarta-feira (9) para discutir a crise do Judiciário afirmaram ao Valor que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de suspender as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino em relação à cúpula da Polícia Federal estanca, por ora, as turbulências na Corte, mas ainda avaliam que é cedo para dizer que o clima está apaziguado.

Lideranças da indústria, mercado financeiro, economistas e advogados se reuniram para elaborar propostas de aperfeiçoamentos institucionais no Judiciário, conforme informou o Valor na segunda-feira (7), com exclusividade.

Cerca de 45 pessoas participaram do debate, feito por videoconferência, para ouvir importantes juristas — Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patricia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira.

Empresários de peso, como Pedro Passos (Natura), Horácio Lafer (Klabin), importantes representantes do setor privado, como Jackson Schneider, conselheiro de grandes empresas como Abra e CBMM, e Pedro Wongtschowski, e o economista e ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, participaram das discussões.

Uma das fontes, que preferiu não se identificar, disse que algumas propostas de reforma do Judiciários foram colocadas na mesa. “Preocupa muito as decisões monocráticas e a falta de código de ética de conduta”, afirmou.

Na reunião, o jurista José Eduardo Cardozo demonstrou preocupação em deixar nas mãos apenas do Senado a responsabilidade de ministros do Supremo. Hoje, já cabe à Casa analisar pedidos de impeachment, mas há uma preocupação com a condução da pauta, em meio às disputas políticas.

Questionados se as falas de Cardozo foram contestadas, as fontes disseram que nem todos os participantes se manifestaram. “O que ficou claro é que há uma indignação com o ministro Alexandre de Moraes em relação à crise do banco Master”, afirmou um dos participantes. A crise entre Moraes e Mendonça também preocupa os participantes. “Há um consenso de que é preciso fazer uma reforma urgente no Judiciário.”

A agenda desse grupo de empresários deverá continuar ativa nos próximos dias, apurou o Valor. Reuniões deverão ser marcadas para depurar as discussões da tarde de quarta-feira, que durou cerca de uma hora e meia.

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