A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, tem defendido uma série de medidas que podem alterar o funcionamento da máquina pública e de programas sociais em um eventual governo do senador.Entre as propostas estão a substituição de servidores por inteligência artificial, a redução de ministérios, o corte de mais de 22 mil cargos comissionados e mudanças nas regras do Bolsa Família. Apesar de prometer um ajuste fiscal bilionário, a equipe do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não apresentou um detalhamento de quanto pretende "economizar" com cada medida.Leia também: A briga de ego na campanha de Flávio Bolsonaro às vésperas do segundo turnoEm entrevista a um podcast, em 30 de setembro, a ex-presidente da Caixa questionou a necessidade de novos concursos para substituir servidores aposentados e sugeriu recorrer à IA para desempenhar parte dessas funções.“Quais carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial? 12 milhões e meio de servidores públicos. Tudo certo, começou lá atrás. Agora, a cada 5 anos, cada ano, vai aposentando 20%. E aí, substitui, faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, afirmou. A proposta, que voltou a circular nesta semana, não esclarece quais carreiras seriam atingidas nem os impactos sobre a prestação dos serviços públicos.Leia também: Flávio contraria o tesouraço e anuncia novas bondadesO funcionalismo também entrou na mira da coordenadora em outras ocasiões. Em entrevista à Rádio Itatiaia, no último dia 15, Daniella defendeu um ajuste fiscal envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário, com revisão de benefícios e despesas administrativas.“Não dá para o MEI estar trabalhando de domingo a domingo, e a gente sustentando uma casta de servidores que têm férias de 60 dias com mais 30 de recessos, que tem uma série de privilégios que custam mais de R$ 30 bilhões para os cofres públicos”, declarou. Na mesma ocasião, afirmou que “Brasília vai ter que cortar na carne”. A equipe também pretende extinguir ou incorporar pelo menos 10 ministérios, embora não tenha especificado quais pastas seriam afetadas.Leia também: Durigan rebate medida de Flávio contra dívidas: "calote geral na economia"As mudanças não se restringem à estrutura administrativa. Na segunda-feira (19), Daniella anunciou uma nova regra de transição para beneficiários do Bolsa Família, com prazo de dois anos para aqueles que conseguirem emprego formal ou abrirem um negócio. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada”, afirmou à CBN Bahia.A declaração provocou reação de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e obrigou Flávio a se manifestar publicamente para negar que pretenda acabar com o benefício. O senador afirmou que os beneficiários poderiam continuar recebendo os pagamentos por até dois anos após conseguirem emprego ou empreenderem.O discurso de contenção de despesas também alcança as empresas estatais e as regras fiscais. Daniella defende rever o atual arcabouço fiscal, criar uma nova âncora vinculada à trajetória da dívida pública e reduzir gastos considerados excessivos. Em entrevista ao podcast Papo de Elite, afirmou: “Vamos cortar em Brasília, não no Brasil”.A coordenadora também apontou os prejuízos de estatais como alvo das medidas. Entretanto, a campanha não demonstrou como a redução de ministérios, cargos comissionados e benefícios administrativos seria suficiente para sustentar o ajuste fiscal anunciado, que chegou a ser estimado em cerca de R$ 250 bilhões. Saiba Mais Política Idealizador da Ficha Limpa declara apoio a Lula "por convicção democrática" Política Flávio visita Bolsonaro a três dias do segundo turno contra Lula
De servidores ao Bolsa Família: os cortes e mudanças defendidos pela equipe de Flávio
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