No último dia 12, junto com o aniversário do monumento ao Cristo Redentor, padre Omar Raposo completou 22 anos desde sua ordenação, em 2004. Reitor do Santuário há quase duas décadas, ele busca no princípio do bem comum o norte para liderar um dos principais cartões postais do mundo. Nesta entrevista, padre Omar defende a comunicação não violenta e o diálogo entre fé, cultura e turismo, com reflexos nas ações sociais. Em meio às celebrações dos 95 anos, destaca algumas iniciativas voltadas ao centenário e projeta sua expectativa para a data: “Vai ser um dos maiores acontecimentos da História do Brasil”. Como o senhor enxerga a trajetória do monumento, de mirante turístico a um local de peregrinação mundialmente conhecido? É importante perceber que tivemos pessoas visionárias lá atrás. Tanto a Princesa Isabel quanto o Cardeal Leme foram pessoas extraordinárias, que fizeram tudo para erigir esse monumento no alto do Corcovado. Mas, em pleno período republicano, foi muito doloroso. A Igreja, que até então era mantida, passou por um processo de esvaziamento, que foi e é muito importante. A laicidade do Estado é necessária e saudável. Então, a Igreja conseguiu a cessão da área a partir de um abaixo-assinado, organizado por mulheres da época. Foi pela força do povo. Tenho certeza que elas não poderiam nunca imaginar aonde poderia chegar esse Cristo Redentor, até porque o mundo evoluiu nesses quase 100 anos de forma extraordinária. O que fizermos daqui pra frente no Cristo Redentor, rumo ao seu centenário, vai ser já pensando nesse posicionamento estratégico que o monumento deve ter em relação ao Brasil e ao mundo. Qual é o ideal de comunicação do Cristo Redentor hoje, especialmente para as novas gerações? Existe uma comunicação simbólica e, a partir dela, a gente precisa comunicar valores. Sempre falo do princípio do bem comum relacionado ao Cristo Redentor. Grandes problemas na sociedade, como corrupção, ausência de transparência, situações de fraude, existem porque ninguém está pensando no bem comum, somente no bem individual e de forma excessivamente egoísta. Esse princípio é norteador do processo de redescoberta da própria cultura, da identidade e de reposicionamento para o futuro. Então, é pensar de maneira não só coletiva, mas de forma integrada. Todo mundo aqui é importante, cada pessoa tem o seu valor. Quando eu fizer uma ação, não posso pensar somente em mim, mas em criar algo que impacte a vida de todas as pessoas. É preciso também despertar para uma comunicação não violenta, porque a comunicação hoje é extremamente aguerrida. A construção das plataformas digitais, tudo favorece pra gente entrar em zona de conflito. O senhor já declarou que uma das suas missões é integrar fé, cultura e turismo. Quais os desafios de integrar esses pilares? Mais uma vez a gente recorre ao princípio do bem comum como ponto de partida. Precisamos de transparência nos processos e saber que cada um desses segmentos tem sua doutrina e sua política próprias. O turismo é uma das grandes indústrias do Rio de Janeiro, é uma vocação maravilhosa. E o Cristo Redentor sempre colaborou, com impactos reais. Mas é preciso dialogar, porque o Cristo não é privilégio de uma igreja, é patrimônio de todo mundo. Temos as dimensões do culto e da cultura conversando. Temos as celebrações religiosas e temos diálogo com a sociedade, onde entram o turismo e o meio ambiente . Esse universo, uma vez consolidado, passa a dialogar com o entorno, com a floresta da Tijuca, com a cidade do Rio de Janeiro, até chegar às causas sociais. É quando o Cristo desce a montanha para fazer o bem. Qual é a sua visão de futuro para o santuário? Do ponto de vista institucional é posicionar o Cristo Redentor como um lugar de encontro, de diálogo com a cultura, com fortalecimento das atividades litúrgicas e pastorais, e da dimensão social caritativa. Desenvolver novas plataformas de impacto, onde a gente vai envolver voluntários, pessoas do bem, instituições de todos os segmentos da sociedade pra gente poder unir forças. Porque o Cristo Redentor foi construído assim, cada pedrinha de sabão tem o nome de uma pessoa por trás, é a construção de muitas mãos. Como imagina a celebração do centenário do Cristo? Vai ser um dos maiores acontecimentos da História do Brasil. Isso vai marcar uma nova fase: vai ser antes e depois do centenário, inclusive o posicionamento do país e da fé do povo brasileiro. E não falo só para o catolicismo. O Brasil é reconhecido mundialmente como um país da fé tolerante, que sabe dialogar, de aceitação das diferenças. Essa é a comunicação com a qual a gente vai chegar ao centenário. Para isso, teremos muitas ações de visibilidade. Por exemplo, fechamos a corrida do Cristo para os próximos cinco anos. Serão 27 etapas, uma em cada estado do Brasil, mais três internacionais. Vamos fazer também exposições internacionais, já fechamos parceria com várias embaixadas. Queremos um país melhor posicionado a partir do Cristo, porque ele tem força para puxar o Brasil. Prova disso é que a revista “The Economist’ sempre mostra o Cristo subindo quando o país está bem. Vamos puxar para fazer esse Cristo ficar 100% de pé. A gente sabe aonde quer chegar.
De olho em 2031, Padre Omar fala sobre centenário do Cristo Redentor: 'Celebrações serão dos maiores acontecimentos da História do Brasil'
Fonte da notícia:
O Globo
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