O mapa eleitoral do Brasil mudou de configurção diversas vezes desde 1989, quando os brasileiros voltaram a escolher o presidente pelo voto direto após a redemocratização. Em quase quatro décadas, o país passou de vitórias que se espalhavam por praticamente todo o território nacional à formação de blocos regionais de apoio a diferentes candidatos.
A trajetória é marcada pela expansão do PT nas urnas, pela consolidação de uma divisão geográfica ao longo dos anos 2000 e pelo avanço do bolsonarismo em 2018. Eleições no exterior: veja resultado de Lula x Flávio Bolsonaro em cada país
A eleição de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL), manteve um desenho semelhante ao de quatro anos antes. O petista conquistou 64.256.232 votos, contra 59.826.041 do adversário, uma vantagem de 3,58 pontos percentuais.
A diferença foi maior do que a registrada em 2022 contra Jair Bolsonaro (PL), mas não alterou substancialmente a distribuição das vitórias por regiões. Confira, a seguir, como o mapa eleitoral brasileiro mudou de cor ao longo de quase quatro décadas:
1989 a 1998: (quase) tudo azul Na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, Fernando Collor de Mello derrotou Lula com 35.090.206 votos, contra 31.075.803 do petista, uma diferença de 6,06 pontos percentuais.
O mapa daquele ano mostra a predominância de Collor por grande parte do país, enquanto o líder sindical venceu em apenas quatro unidades da federação: Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco. Na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, Fernando Collor venceu Lula por 6,06 pontos percentuais, com vitórias em 14 estados.
O petista conquistou quatro Arte O GLOBO
O domínio territorial de um único candidato se repetiu nas duas eleições seguintes, desta vez com Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, impulsionado pelo sucesso do Plano Real, que conteve a hiperinflação e estabilizou a moeda brasileira, o tucano derrotou Lula ainda no primeiro turno, por uma diferença de 27,24 pontos percentuais.
O mapa ficou quase inteiramente azul, com vitórias de FH espalhadas por todas as regiões do país, exceto no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul. Fernando Henrique Cardoso derrotou Lula ainda no primeiro turno, com vantagem de 27,24 pontos percentuais, e conquistou a maior parte do mapa eleitoral brasileiro
Arte O GLOBO Quatro anos depois, o cenário se repetiu, mas com uma diferença: embora FH tenha mantido sua ampla vantagem territorial e garantido a reeleição no primeiro turno, Lula conseguiu reduzir a distância entre os dois.
A vantagem do tucano caiu para 21,35 pontos percentuais, enquanto a votação do petista passou de 17,1 milhões para 21,4 milhões de votos. A mudança, porém, teve pouco reflexo no mapa, que permaneceu predominantemente azul, exceto por Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, mostrando que o crescimento eleitoral de Lula ainda não havia se traduzido em uma expansão territorial expressiva.
Além disso, Ciro Gomes venceu no Ceará. FH foi reeleito no primeiro turno, novamente com ampla vantagem sobre Lula.
O tucano recebeu 35,9 milhões de votos, contra 21,4 milhões do petista Arte O GLOBO
2002: Lula emplaca avalanche vermelha A primeira grande inversão no mapa ocorreu em 2002, com a vitória de Lula sobre José Serra (PSDB).
O petista recebeu 52.793.364 votos, contra 33.370.739 do adversário, uma diferença de 22,54 pontos percentuais. A mudança foi expressiva também na distribuição geográfica: depois de três eleições dominadas pelos adversários do PT, praticamente todo o território nacional passou a ser representado pela cor de Lula, com Alagoas sendo a única exceção.
Foi o momento de maior expansão territorial do petista entre os mapas apresentados. A vitória mostrou um cenário bastante diferente daquele observado nas disputas anteriores e que também não se repetiria nas eleições seguintes.
O mapa do Brasil ficou predominantemente vermelho com a primeira vitória presidencial de Lula, que derrotou José Serra por 22,54 pontos percentuais Arte O GLOBO
2006: começa a se desenhar um país dividido Quatro anos depois, Lula foi reeleito com 58.295.042 votos, contra 37.543.178 de Geraldo Alckmin, uma vantagem de 21,66 pontos percentuais.
Apesar da diferença expressiva, o mapa já apresentava uma mudança importante: o adversário do PT passou a conquistar um conjunto de estados concentrados principalmente no Sul e no Centro-Oeste, enquanto Lula manteve o predomínio no Nordeste e em grande parte do Norte. Apesar da reeleição de Lula com ampla vantagem sobre Geraldo Alckmin, o mapa começou a apresentar uma divisão regional mais evidente, com vitórias do tucano concentradas no Sul e no Centro-Oeste
Arte O GLOBO Essa divisão se calcificou em 2010, quando Dilma Rousseff, a sucessora escolhida por Lula, derrotou José Serra (PSDB) por 12,1 pontos percentuais.
O mapa passou a apresentar blocos regionais mais definidos, com o PT concentrando vitórias no Nordeste e em parte do Norte, enquanto os tucanos avançavam no Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste. Dilma Rousseff venceu José Serra por 12,1 pontos percentuais, em uma eleição marcada pelo predomínio petista no Nordeste e pelo avanço tucano no Sul e no Centro-Oeste
Arte O GLOBO Em 2014, a disputa ficou ainda mais apertada.
Dilma foi reeleita com 54.501.118 votos, contra 51.041.155 de Aécio Neves (PSDB), uma vantagem de apenas 3,28 pontos percentuais. A petista venceu em 14 unidades da federação, enquanto o tucano conquistou 13.
O resultado manteve a divisão territorial que vinha se formando nas eleições anteriores. A divisão territorial se acentuou na reeleição de Dilma Rousseff, que derrotou Aécio Neves por apenas 3,28 pontos percentuais.
A petista venceu em 14 unidades da federação, contra 13 do tucano Arte O GLOBO
2018: virada com Bolsonaro O mapa voltou a mudar em 2018, quando Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad (PT).
O então candidato do PSL conquistou 57.797.847 votos, contra 47.040.906 do petista, uma diferença de 10,26 pontos percentuais. Bolsonaro venceu em 16 unidades da federação, enquanto Haddad conquistou 11.
O resultado consolidou o predomínio do campo adversário ao PT no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste, enquanto o Nordeste permaneceu favorável ao partido. A diferença entre os dois blocos também ficou evidente no mapa, com a concentração das vitórias petistas principalmente na porção nordeste do país.
Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad por 10,26 pontos percentuais e conquistou 16 unidades da federação, enquanto o petista venceu em 11, principalmente no Nordeste Arte O GLOBO
2022 e 2026: resultado muda, divisão permanece A eleição de 2022 foi a mais apertada entre as disputas retratadas.
Lula retornou à Presidência com 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Jair Bolsonaro, uma vantagem de apenas 1,8 ponto percentual. Apesar da mudança no vencedor, o mapa manteve a divisão regional: o petista predominou no Nordeste e em parte do Norte, enquanto Bolsonaro concentrou suas vitórias no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste.
Lula derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual, a menor diferença entre as eleições retratadas, em um mapa marcado pela divisão regional do voto Arte O GLOBO
Quatro anos depois, Lula ampliou sua votação para 64.256.232 votos e derrotou Flávio Bolsonaro, que recebeu 59.826.041. A vantagem nacional subiu para 3,58 pontos percentuais, mas os mapas das duas eleições mostram praticamente a mesma distribuição territorial das vitórias.
Lula ampliou sua vantagem nacional para 3,58 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, mas venceu em 13 unidades da federação, contra 14 do adversário. O desenho do mapa permaneceu semelhante ao de 2022
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