O general da reserva Augusto Heleno, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 21 anos de prisão por participação na trama golpista, estaria articulando nomes para cargos nas Forças Armadas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). As informações foram publicadas pelo ICL Notícias, que cita relatos de fontes militares.
Segundo a reportagem, a articulação incluiria a escolha de comandantes militares, a indicação de um nome para o Ministério da Defesa e uma possível anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. O texto também menciona a possibilidade de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), assumir a direção-geral da Polícia Federal.
O ICL Notícias afirma que o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, estaria entre os interlocutores de Heleno. A publicação, porém, não detalha o local da suposta reunião nem afirma que o general tenha participado diretamente do encontro mencionado.
Em nota, a FAB negou que Damasceno tenha participado de reunião com Heleno em 20 de outubro. Segundo a Força Aérea, o comandante estava no Rio de Janeiro, onde ministrou uma palestra na Universidade da Força Aérea, e retornou a Brasília na manhã do dia seguinte.
A reportagem informou que procurou as partes citadas, mas não havia recebido resposta até sua publicação. Nome cotado para a Defesa
Entre os nomes apontados pela reportagem para o Ministério da Defesa está Marcos Degaut, executivo do grupo de defesa EDGE na América Latina. Ele já ocupou cargos na área de defesa durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro e, segundo o texto, mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro.
A publicação também relata que a articulação teria como objetivo beneficiar condenados pela tentativa de golpe, incluindo Heleno. Uma eventual anistia, no entanto, dependeria de medidas políticas e jurídicas e não está garantida.
Condenação de Heleno Ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Jair Bolsonaro, Heleno foi condenado pelo STF por sua participação na trama para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
Durante reunião ministerial em julho daquele ano, ele defendeu ações antes da votação e falou em “virar a mesa”, conforme registros da investigação. A reportagem também relembra anotações apreendidas pela Polícia Federal nas quais o general defendia manter críticas às urnas eletrônicas.
Heleno nega as acusações? O material fornecido não apresenta uma resposta direta do general sobre as novas alegações. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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