CVS anuncia plano de dividir negócios em empresas independentes

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Fonte da notícia: Globo Globo

A CVS revelou planos de se dividir em duas companhias independentes em 2028, antecipando o anúncio à divulgação de seus resultados financeiros do terceiro trimestre. Conforme adiantou ao Wall Street Journal, a CVS passará por uma cisão na qual uma das empresas reunirá a operadora de planos de saúde Aetna e a gestora de benefícios farmacêuticos Caremark, enquanto a outra abrigará sua rede de aproximadamente 9 mil farmácias de varejo.

Ambas as companhias, que serão batizadas, respectivamente, de CVS Health e CVS Pharmacy, terão ações negociadas em bolsa, e a atual base de acionistas receberá participações em ambas as entidades. A empresa divulga logo mais seus números trimestrais, momento em que os investidores buscarão esclarecimentos adicionais sobre um entrave operacional com um programa federal que deixou forte incerteza na teleconferência de resultados anterior.

Na ocasião, em agosto, executivos da rede ressaltaram que a empresa atende sistemas de saúde por meio do programa federal 340B, iniciativa que possibilita a hospitais públicos e clínicas comunitárias de assistência básica adquirir medicamentos prescritos com desconto direto junto a farmacêuticas.

A gestão alertou à época que esse impacto adverso sobre o negócio pode se estender ao longo de 2027. Embora a companhia não discrimine a receita exata originada pelo 340B em suas demonstrações contábeis, a sinalização negativa foi suficiente para ofuscar um balanço que, no geral, havia superado as projeções.

Naquele pregão, as ações tombaram 5%, para US$ 99,12, ampliando as perdas nas semanas subsequentes até fechar a US$ 91,41 na última terça-feira. No acumulado do ano, o papel ainda exibe valorização de 15,2%, frente a um avanço de 10,6% do mercado mais amplo.

Para os analistas, o nível de detalhamento fornecido sobre como a dinâmica do 340B impactará a divisão de serviços de saúde pode ter peso mais decisivo para o desempenho das ações hoje do que as próprias métricas trimestrais. Em nota a clientes em outubro, o analista Michael Cherny, da Leerink Partners, apontou que o fator mais aguardado é a dimensão do risco de baixa que o programa impõe ao segmento de serviços, cortando seu preço-alvo de US$ 119 para US$ 112, embora mantendo a recomendação de compra.

Para o terceiro trimestre, o consenso de Wall Street compilado pela FactSet projeta um lucro ajustado por ação de US$ 1,65, ante US$ 1,60 em igual período de 2025. O faturamento líquido deve atingir US$ 104,7 bilhões, em expansão frente aos US$ 102,87 bilhões reportados um ano antes.

No braço de seguros de saúde, a sinistralidade é estimada em 92,2%, melhorando ante os 92,8% apurados no mesmo trimestre do ano anterior, índice que mede os custos assistenciais como proporção das receitas de prêmios e cuja redução é bem-vista pelo mercado. O grande ponto de interrogação, no entanto, segue atrelado aos desdobramentos do 340B.

O mecanismo movimenta cifras elevadas, o volume de compras atingiu US$ 100 bilhões no ano passado, e suas regras operacionais são motivo de atrito recorrente entre a indústria farmacêutica e os hospitais, especialmente após fabricantes imporem novas exigências de coleta de dados sobre sinistros e prescrições.

Do seu lado, a CVS aufere taxas ao dispensar remédios enquadrados no programa em suas farmácias e ao prestar serviços administrativos de intermediação para os hospitais participantes. Na teleconferência de agosto, a diretoria citou apenas que “restrições” impostas por fabricantes de remédios atingiram o faturamento do programa no segundo trimestre, sem detalhar as fontes de receita ou os serviços específicos afetados, prometendo esclarecer a situação aos investidores no balanço do terceiro trimestre.

O alerta inicial gerou apreensão sobre a sustentabilidade das margens operacionais à frente, mesmo após a cúpula da CVS ter estabelecido um piso mínimo de US$ 8,44 para o lucro ajustado por ação em 2027, ocasião em que o diretor financeiro, Brian Newman, afirmou que a empresa dispõe de “múltiplos caminhos” para entregar as metas assumidas com o mercado.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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