Formada em Biomedicina, Clara Sales, de 30 anos, trabalhava como analista clínica quando decidiu mudar de carreira. Mãe solo e moradora de Higienópolis, na Zona Norte, ela encontrou na paixão por moda e acessórios a inspiração para recomeçar.
Ao conhecer pelas redes sociais o projeto do Instituto Elabora Social em parceria com a Firjan Senai, inscreveu-se no curso gratuito de ourivesaria. Após a formação, conquistou uma vaga na Sauer, uma das grandes joalherias do país, onde trabalha como assistente de produção em prototipagem.
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Clara Sales trocou a área de análises clínicas pela joalheria Divulgação/Carol Salermo
A trajetória de Clara é um dos exemplos dos resultados de uma iniciativa que chega ao terceiro ano e busca ampliar a presença feminina em um setor historicamente ocupado por homens. Com a formatura da turma de 2026, marcada para o próximo mês, o programa chegará a 59 mulheres formadas.
A capacitação é voltada a mulheres a partir de 18 anos, com renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo e meio. As inscrições para a próxima turma ainda não têm data prevista, mas interessadas podem obter informações diretamente com o Instituto Elabora Social, pelo telefone 3400-3103.
— O curso foi um divisor de águas. Consegui o reingresso no mercado de trabalho depois da formação.
O curso me deu uma bagagem de conhecimento muito importante, que me ajudou a ter segurança para entrar na empresa onde estou atualmente — conta Clara, que concluiu o curso em 2025. Realizada no Centro de Referência em Joalheria da Firjan Senai no Maracanã, a formação dura cerca de oito meses.
As alunas aprendem história da joalheria, desenho, técnicas de ourivesaria, cravação, modelagem 3D e empreendedorismo. Há reserva de vagas para mulheres negras e migrantes.
Jiu-jítsu é a principal atividade esportiva do projeto Craques do Amanhã Divulgação
A formação também abre possibilidades para quem deseja empreender. Aos 40 anos, Dayanna Borges de Paula, moradora de Inhaúma, investe na marca AféféDayanna, com peças autorais e produtos para revenda.
Ela escolheu esse caminho para conciliar o trabalho com os cuidados da mãe e agora planeja abrir o próprio ateliê. — O Elabora vai além de conhecimento profissional.
É uma mudança de vida. Hoje, empreendo peças autorais e de revenda com a minha marca, em feiras.
O próximo passo é ter meu ateliê, minha loja — afirma Dayanna, que também integrou a turma de 2025. Além das aulas, o Instituto Elabora Social auxilia as formandas na preparação de currículos, entrevistas e busca por vagas.
Para quem empreende, articula oportunidades de participação em feiras e eventos. As coleções conceituais desenvolvidas pelas alunas já foram apresentadas em espaços como a ArtRio e, no caso do projeto Joias da Amazônia, na COP30, em Belém, em 2025.
Uma versão com maior potencial comercial foi levada à Feira Nacional da Indústria de Joias, Relógios e Afins (Feninjer), e o instituto trabalha na estruturação de possibilidades de venda no Brasil e no exterior. Para Carla Pinheiro, presidente do Sindicato das Indústrias da Joalheria e Lapidação de Pedras Preciosas do Estado do Rio de Janeiro (Sindijoias) e presidente do Conselho de Mulheres da Firjan, ampliar a participação feminina na produção é um desafio para o setor.
— As mulheres estão muito presentes como força de venda, mas precisamos ter representatividade também na produção e na liderança. O projeto tem contribuído para atrair e formar mulheres para uma área com forte presença masculina — afirma.
Craque do Amanhã Já crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos que sonham fazer carreira como atletas e residem nas comunidades Vasco da Gama, Arará, Tuiutí e Café podem se candidatar a uma vaga no projeto social Formando Campeões — Craque do Amanhã, sediado em São Januário, em parceria com o Club de Regatas Vasco da Gama.
Para se inscrever, basta comparecer pessoalmente ao espaço do projeto, de segunda a sexta-feira, e solicitar a ficha de pré-inscrição. As fichas são disponibilizadas de forma contínua, e os candidatos são convocados à medida que novas vagas são abertas.
Os 180 participantes selecionados têm acesso a uma estrutura completa de desenvolvimento esportivo, educacional e social. O projeto oferece aulas de jiu-jítsu como atividade esportiva principal, aliadas a ações pedagógicas semanais com foco em disciplina, respeito e convivência.
— O projeto é de extrema importância para a comunidade, especialmente diante da carência de espaços adequados e acessíveis para a prática de atividades esportivas, educacionais, culturais e de lazer. Mais do que oferecer atividades esportivas gratuitas, a iniciativa busca ampliar perspectivas de futuro, promover a igualdade de oportunidades e contribuir para a redução da vulnerabilidade social — afirma Felipe Espose, coordenador do Formando Campeões.
Os alunos contam ainda com acompanhamento de uma psicóloga social, que oferece suporte tanto aos participantes quanto às suas famílias, além de atividades culturais e de lazer promovidas regularmente. Cada inscrito recebe um kit completo de materiais, composto por quimono, camisas e mochila, além de lanche diário e cesta básica mensal, contribuindo diretamente para o apoio social das famílias atendidas.
O projeto é aberto a meninos e meninas, incluindo participantes atípicos ou com deficiências. O único requisito é que o candidato esteja regularmente matriculado em uma instituição de ensino, preferencialmente da rede pública.
A iniciativa é viabilizada por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, com o apoio da Secretaria de Esporte e Lazer, e conta com o financiamento da empresa Light.
O Globo