Formação, empresas pelas quais passou, cargos ocupados e anos de experiência ajudam o recrutador a entender a trajetória de um profissional. Mas até que ponto esse histórico é suficiente para indicar como ele vai desempenhar uma função que pode exigir conhecimentos, habilidades e comportamentos diferentes dos que desenvolveu até então? Em um mercado de trabalho marcado por mudanças rápidas, olhar apenas para experiências anteriores pode limitar a análise. Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, o currículo continua sendo uma fonte importante de informação, mas não deve ser usado como único indicador do potencial de um candidato. "O currículo é uma fonte importante de informação, mas ele é essencialmente retrospectivo. Mostra formação, experiências e responsabilidades anteriores. Quando queremos entender potencial, precisamos acrescentar outras evidências à análise, com indicador daquilo que o profissional poderá fazer", afirma. Isso não significa que a experiência deixou de ser relevante. Em determinadas posições, conhecimentos técnicos específicos, certificações ou vivências anteriores são indispensáveis para o desempenho da função. A questão está em entender quais requisitos realmente são determinantes para cada vaga e quais podem ser desenvolvidos ao longo da trajetória profissional. Um exemplo são processos que estabelecem como requisito "X anos de experiência" ou uma passagem anterior por determinado setor, mesmo quando essas condições não estão diretamente relacionadas às atividades que serão desempenhadas. Na prática, critérios como esses podem reduzir o grupo de candidatos antes que a empresa consiga avaliar outras características importantes para a função. "Importante entender se para esta posição, neste contexto de negócio, é realmente necessário ter alguém com experiência ou um profissional com agilidadde de aprendizagem pode exercer plenamente a função? As duas situações existem diferenciá-las é crítico para o sucesso de escolha". Explica Patrícia. Para ampliar essa análise, processos seletivos podem combinar diferentes fontes de informação. Entrevistas estruturadas, testes técnicos e avaliações cognitivas e comportamentais, por exemplo, ajudam a observar características que não aparecem necessariamente no currículo. É nesse contexto que soluções baseadas em ciência e dados começam a ganhar espaço no recrutamento. O Pandapé Genoma, por exemplo, combina avaliações comportamentais, cognitivas, atitudinais e de integridade para gerar informações complementares sobre os candidatos. A proposta é ampliar a quantidade e a qualidade das evidências disponíveis para a tomada de decisão, sempre considerando as características e exigências de cada posição. "Ter mais dados não significa ter uma resposta pronta sobre o candidato. O valor está em gerar informações confiáveis e entender o que elas significam no contexto daquela vaga. A decisão continua sendo feita a partir do conjunto de evidências", afirma Patricia. A necessidade de ampliar esse olhar também está relacionada à própria transformação das carreiras. Profissionais mudam de área, desenvolvem novas competências ao longo do tempo e passam a ocupar funções que sequer existiam quando iniciaram sua trajetória. Ao mesmo tempo, empresas precisam contratar para contextos que mudam cada vez mais rápido. Nesse cenário, considerar apenas o que o candidato já fez pode deixar de fora profissionais capazes de aprender, adaptar-se e aplicar seus conhecimentos em novas situações. Ao mesmo tempo, abandonar completamente a experiência também não responde às necessidades de todas as posições. Para Patricia, o caminho está em entender o peso que cada tipo de evidência deve ter de acordo com a vaga e o contexto da contratação. "Se as funções mudam, as competências evoluem e as pessoas constroem trajetórias cada vez menos padronizadas, o recrutamento também precisa ampliar o olhar. Experiência continua sendo evidência, mas não é a única. O objetivo é entender o conjunto de informações que ajuda a empresa a tomar uma decisão melhor", conclui.
Currículo mostra a experiência de um profissional, mas não necessariamente seu potencial para o futuro
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