O Brasil vai eleger neste domingo o seu novo presidente. Mas a festa da democracia mundo afora tem algumas curiosidades e nem sempre é tão simples.
Veja a seguir algumas delas: Voto on-line: A Estônia foi o primeiro país do mundo a adotar o voto pela internet com validade legal e de forma permanente em suas eleições, nas eleições municipais de 2005.
Dois anos depois, a ex-república soviética expandiu a modalidade para as eleições parlamentares de âmbito nacional, marcando outra estreia global. Outros países estão testando a medida.
Um deles, a Noruega, fez testes controlados com o voto on-line, mas decidiu suspender e cancelar a modalidade em 2014. Relatórios políticos e técnicos apontaram que o sistema não gerou um aumento significativo na participação eleitoral e, o mais importante, gerou desconfiança e receio na população em relação à segurança cibernética e à garantia do sigilo absoluto do voto.
As eleições gerais na Estônia são feitas de forma on-line AFP
Urna espacial: Uma lei aprovada em 1997 permite que astronautas dos EUA votem quando estiverem em missão no espaço. No mesmo ano, David Wolf se tornou o primeiro americano a votar enquanto estava longe da Terra.
O voto criptografado é enviado ao controle de missões espaciais em Houston (Texas), que o repassa para as autoridades eleitorais. Dedo marcado: Eleitores mexicanos saem da seção eleitoral com uma marca que tem função de segurança.
Após o voto, mesários aplicam tinta indelével num dedo do eleitor para dificultar que uma mesma pessoa participe do pleito mais de uma vez. A tinta dura oito dias e é feita de acetona, cloro e solventes.
De acordo com a Lei Geral de Instituições e Procedimentos Eleitorais do México, a tinta indelével faz parte dos materiais eleitorais obrigatórios. Ela precisa ser entregue em todas as seções eleitorais antes de qualquer votação.
A substância passou por adaptações tecnológicas ao longo dos anos. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, sua fórmula foi modificada pelo IPN para incluir propriedades antivirais e biocidas, garantindo que o aplicador não transmitisse vírus entre os eleitores.
A técnica foi exportada para outros países, como El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana. Eleitor tem dedo marcado após votar no México
Reprodução/pulitzercenter.org Bolas de gude: Uma das formas mais incomuns de votar está na Gâmbia.
Em vez de preencher uma cédula, eleitores depositam uma bolinha de gude num tambor correspondente ao candidato escolhido. A passagem da bolinha aciona um sino, oficializando o voto.
O sistema foi introduzido em 1965 num contexto de elevado analfabetismo. Como o som do sino poderia ser confundido com buzinas de bicicleta, a circulação delas nas áreas eleitorais chegou a ser proibida.
Na contagem, as bolinhas são distribuídas em tabuleiros com centenas de espaços, facilitando a apuração. Com esse modelo, não há voto inválido.
Há um projeto para a troca por cédula, mas a eleição presidencial de 5 de dezembro no país africano será ainda com bolas de gude. "Caução eleitoral": Para disputar eleição parlamentar no Reino Unido, o candidato precisa fazer um depósito de 500 libras (cerca de R$ 3.370).
O dinheiro é devolvido se o concorrente alcançar pelo menos 5% dos votos válidos no distrito eleitoral disputado. Caso contrário, fica no prejuízo.
Terça-feira: Ao contrário do Brasil e de muitos outros países, os EUA mantêm uma regra criada quando boa parte da população ainda vivia no campo. As eleições federais ocorrem na primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro.
A escolha remonta a 1845. Na época, o Congresso precisava estabelecer uma data nacional e levou em consideração hábitos religiosos, deslocamentos e a rotina dos agricultores.
O domingo era reservado à igreja para muitos cidadãos e foi vetado. A segunda-feira poderia exigir que moradores de áreas rurais viajassem no domingo até os locais de votação, enquanto a quarta-feira era tradicionalmente utilizada para mercados agrícolas.
A terça-feira acabou virando um consenso nacional, que não foi substituído mesmo depois das transformações sociais e tecnológicas ocorridas desde o século XIX. 'Mac' Akasaka, fundador do Partido do Sorriso no Japão
Reprodução Partido da Felicidade: O Japão é praticamente dominado por dois grupos políticos: o Partido Liberal Democrático e o Partido Democrático do Japão.
Mas o país tem legendas minoritárias com nomes bem curiosos, como o Partido da Realização da Felicidade e o Partido do Sorriso. Este último foi fundado por "Mac" Akasaka, que chama a atenção por seu visual extravagante: muitas vezes ele aparece só de cuecas ou vestido de super-herói.
Naturalmente, sempre sorrindo. Outra curiosidade: no Japão, os candidatos não usam números de identificação como no Brasil.
Na hora da votação, o eleitor precisa escrever o nome completo do candidato. Não pode haver rasuras ou desenhos.
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