Crown prepara avanço no mercado de cartões com criptomoedas

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A Crown, fintech brasileira especializada em infraestrutura para operações com criptomoedas, prepara uma nova frente de negócios no mercado de cartões. A companhia está desenvolvendo soluções para que bancos, fintechs e outras empresas ofereçam cartões vinculados a stablecoins, criptomoedas cujo valor acompanha o de ativos tradicionais, como o dólar. A estratégia foi revelada ao Radar Econômico por John Delaney, CEO e cofundador da empresa. Em vez de lançar um cartão com marca própria, a Crown pretende atuar nos bastidores das operações. O modelo permite que instituições financeiras ofereçam o produto a seus clientes sem precisar desenvolver toda a infraestrutura necessária para realizar transações com criptoativos. Na prática, o consumidor poderá pagar em estabelecimentos que aceitem cartões normalmente, enquanto a Crown ficará responsável pela conversão entre reais e stablecoins vinculadas ao dólar.

A companhia também trabalha com uma estrutura que permite aos parceiros oferecer mecanismos de remuneração associados ao BRLV, stablecoin lastreada em ativos denominados em reais. Segundo Delaney, a estratégia é concentrar os negócios na infraestrutura de liquidação e deixar a distribuição dos cartões para empresas parceiras.

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A Crown informa que possui atualmente R$ 373 milhões em BRLV em circulação. O montante representa o estoque de tokens emitidos, e não o volume de pagamentos processados pela plataforma. A fintech já oferece soluções de câmbio com stablecoins para clientes institucionais, mas não divulga os nomes dos parceiros por razões de confidencialidade.

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O avanço no mercado de cartões ocorre em paralelo à busca por maior autonomia regulatória. A Crown protocolou um pedido de autorização no Banco Central para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais, além de buscar a possibilidade de oferecer contas de pagamento próprias e participar do Pix. Hoje, a empresa depende de prestadores terceirizados para manter as contas em reais de seus clientes. Com as autorizações, pretende internalizar essa estrutura e reduzir a dependência de intermediários.

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