Depois da sucesso da união de Roupa Mova e Guilherme Arantes e ainda enfrentando a concorrência de Belo, era natural que a frente do Palco Mundo não ficasse tão cheia para receber o cantor e maestro americano Jon Batiste. Ainda assim, havia um pessoal animado na frente quando ele surgiu, vestindo uma camisa azul do Brasil (de camelô) com o número 9 às costas. À frente de uma banda numerosa, com ritmistas, ele começou o show com “Worship”, comandou a galera em um na-na-na e mostrou habilidade na minha escaleta (aquele pequeno teclado de sopro) antes de pegar um violão. A música de Nova Orleans invadia o Palco Mundo.
O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio: Acompanhe o terceiro dia do festival em tempo real Sua música mais conhecida, “Freedom”, veio em seguida. — Preciso sentir a liberdade de vocês! — disse ele, animadão, antes de se sentar ao piano, seu principal instrumento.
Depois de mostrar um pouco sua categoria mas teclas, ele, entusiasta da música brasileira, puxou os acordes de “Mas que nada” (na voz de Negah Santos, cantora e percussionista brasileira que o acompanha) — que, por coincidência, já tinha sido lembrada pelos Black Eyed Peas na noite de domingo. Aliás, para um estudioso da música, Jon poderia ter pensado em uma canção menos óbvia.
O show esquentou de vez quando ele enveredou pelo blues, mostrando, além da conhecida maestria no piano, técnica vocal invejável em canções como “Big mone. Seu lado clássico — retratado no premiado documentário “American symphony — foi abordado em um medley com “Por Elise”, de Beethoven, o “Noturno n° 1 em Ré menor”, de Chopin, e outras, que ganharam uma canja da bailarina Ingrid Silva (que voltou ao festival após dançar com Alcione em 2024) e citação de “Chega de saudade”. O número, um dos momentos mais belos do festival terminou com a delicada “Butterfly”.
— Isto é uma prática espiritual — disse Batiste a um público encantado.
Para terminar em clima de Nova Orleans (Batiste é da Lousiana, estado onde fica a cidade que deu vida ao jazz), “When the Saints go marching in” e um público dançando sorridente. Bailarina Ingrid Silva se apresenta ao lado de Jon Batiste no Rock in Rio Reprodução / Multishow
O Globo