A presença de cerca de vinte pessoas no palco, conversando, gesticulando e apontando para o que parecia ser o telão interno, não parecia um bom auspício para o show do Avenged Sevenfold, que encerraria a segunda noite do Rock in Rio 2026, dedicada ao rock pesado. Na verdade, parecia um mau presságio (em inglês, o nome da banda que tinha acabado de tocar no Sunset, Bad Omens). O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio 2026: Acompanhe o segundo dia do festival em tempo real O horário de 0h05, marcado para o início da apresentação da banda californiana, veio, passou e deixou lembranças. O imenso telão de LED não saía de uma imagem xadrez (possivelmente uma tela de descanso), e o povo esperava sob ameaçadores pingos de chuva. À 0h30, após 25 minutos de atraso, o telão se apagou e o sistema de som começou a tocar “Nightcall”, do DJ francês Kavinsky. Seria, finalmente, um bom auspício? Mais tarde, o festival explicaria que foram “ajustes técnicos”. A banda finalmente pisou o palco à 0h35, e as primeiras metralhadas das guitarras em “Nightmare” detonaram um frenesi no público (os telões funcionavam normalmente). O refrão melodioso e os músicos espalhados pelo imenso palco ajudaram a explicar a popularidade da banda, de longe a mais representada nas camisetas pretas do dia. Carismático, o cantor M.Shadows (que ostenta com orgulho seu mullet) pouco conversou: deixou canções como “Magic”, “Shepherd of fire” (que veio com imensas labaredas) e “Buried alive” agitarem o povo, que abria rodas e cantava em altos brados. No dia do metal sem os antigos medalhões do gênero, o Avenged Sevenfold é exatamente a ponte entre passado e futuro: com integrantes na faixa dos 40 anos, é de outra geração em relação a Metallica, Iron Maiden e Judas Priest, mas seu som tem esses monolitos como inspiração clara, diferentemente de Bad Omens e Bring Me The Horizon, que já partem dos anos 2000 para levar o gênero à frente. Quando falou mais longamente, Shadows comentou que tinha visto muita negatividade a respeito do festival e das bandas nas redes sociais. — Somos todos amigos! — garantiu ele. — Esta música vai para MGK, Bring Me The Horizon, Poppy, Bad Omens, todas as bandas de hoje. Não percam seu tempo com isso, aproveitem o dia. Foi a senha para a balada “Seize the day” (“Aproveite o dia”), uma das mais cantadas pelo público. — Vamos tentar um negócio aqui, pode ser que dê tudo errado — disse o cantor, enquanto uma bateria extra para Brooks Wackerman era montada na passarela que entrava pelo público. — Esta música é sobre amigos nossos que foram à guerra e voltaram todos ferrados. Tem uma grande influência de uma de nossas bandas favoritas, o Iron Maiden. Esta é “M.I.A.”. O setlist já ia adiantado quando o fraseado das duas guitarras anunciou “Hail to the King”, o maior sucesso da banda, que detonou uma cantoria (inclusive das partes instrumentais), rodas e sinalizadores. Depois de cerca de 1h40 de show, o território Rock in Rio estava conquistado, mais uma vez — foi a terceira vez da banda no festival; a segunda como atração principal. Já a renovação do heavy metal, ela acontece, mas lenta e firme como um riff do Black Sabbath.
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Crítica: à vontade no papel de headliner do Rock in Rio, Avenged Sevenfold faz mais uma vez a alegria dos jovens metaleiros
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O Globo
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