Questionada sobre as eleições gerais no Brasil, a presidente-executiva do Grupo Santander, Ana Botín, avaliou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu “demonstrações importantíssimas de confiança para os mercados”. Como exemplo, citou a independência do Banco Central (BC), que considera “igual ou mais independente que qualquer um de qualquer país desenvolvido”.
“Todos os governos democraticamente eleitos em todos os países em que operamos vão contar sempre com o apoio e a colaboração do Santander”, disse Botín a jornalistas, durante o XXII Encontro Santander América Latina. “O governo do presidente Lula deu demonstrações importantíssimas de confiança para os mercados: a independência do Banco Central.”
Para Botín, “não há nenhuma dúvida de que o Brasil é um país que tem instituições muito sólidas”. A executiva comparou aos Estados Unidos, onde há muitos “freios e contrapesos”, o que, em sua avaliação, limita a “margem de manobra para mudar, nem para o bem nem para o mal” dos governos.
Ao comentar a oferta pública de aquisição (OPA) voluntária do Santander Brasil, Botín afirmou que a operação demonstra a “confiança” da matriz no país. “É uma aposta de médio prazo.
Estamos falando de vários bilhões de dólares de investimento adicional no Brasil e creio que mostra a confiança que temos no país.” Questionada sobre a situação fiscal brasileira, a executiva afirmou que o tema não é um desafio exclusivo do país, mas uma questão global.
“Para mim, o que está acontecendo com a parte fiscal no mundo, incluindo no Brasil, é algo que não abordamos corretamente em nenhum país, que é o fato de termos uma economia digital que tem estruturas, que ainda opera como na era industrial. E isso tem muitíssimas consequências para impostos”, avaliou.
Na avaliação de Botín, é necessário “um novo contrato social que reflita que estamos em uma economia digital”. “Questão fiscal, questão de transparência, questão de concorrência tem um impacto muitíssimo grande sobre o que está acontecendo com os governos e com a dívida fiscal”, disse.
“É preciso entender bem quais são as questões que precisam ser mudadas, e eu acho que isso é algo que o Brasil com certeza vai fazer, e tenho confiança de que o fará.” Sobre as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Botín afirmou que os resultados eleitorais refletem a vontade dos cidadãos e devem ser respeitados.
“Os resultados de eleições pontuais, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país, são decisões dos seus cidadãos que vamos respeitar. [...] Queremos estar perto desses governos porque, como disse antes, creio que essa colaboração público-privada é essencial e, portanto, isto vai continuar a ser assim nos Estados Unidos e em todos os nossos mercados.”
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