Ações de Tesla e SpaceX, de Musk, desabam após derrota de Trump nas eleições para o Congresso dos EUA

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os papéis da Tesla e da SpaceX, de Elon Musk, registraram queda antes da abertura do mercado de ações dos Estados Unidos nesta quarta-feira, depois que os democratas conquistaram o controle do Congresso, intensificando a preocupação dos investidores quanto ao futuro dos principais negócios do bilionário republicano.

As ações da Tesla recuavam cerca de 5% nas negociações do pré-mercado, enquanto as da SpaceX registravam queda de 6,9%, após ficar clara a dimensão da rejeição ao presidente Donald Trump e a seu partido. Em comparação, os contratos futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq 100 apresentavam pequenas altas.

Poucos presidentes de empresas têm uma ligação tão estreita com o presidente dos Estados Unidos quanto Musk, o homem mais rico do mundo, que havia destinado quase US$ 450 milhões aos cofres do Partido Republicano e incentivado seus 240 milhões de seguidores na rede social X a votar contra os democratas.

Para os investidores da Tesla ou da SpaceX, a chamada onda azul nas eleições de meio de mandato representará um duplo golpe. O resultado deverá intensificar as preocupações com regras mais rigorosas para o setor de inteligência artificial e também aumentar as incertezas em torno de uma possível fusão entre a fabricante de veículos elétricos e a gigante dos foguetes, da inteligência artificial e dos satélites.

“Pelo visto, meus lasers espaciais de interferência eleitoral não funcionaram desta vez”, escreveu Musk, em tom de brincadeira, em uma publicação no X. “Os centros de dados no espaço parecem bastante atraentes agora.”

Às vésperas das eleições de meio de mandato, o risco era particularmente elevado porque Musk e suas empresas estão no centro de diversas questões controversas. Tesla e SpaceX avançam na corrida pela inteligência artificial (IA), uma possível megafusão entre as duas empresas levanta questionamentos regulatórios, e o acesso a uma versão militar do serviço de satélites Starlink tornou-se um ponto de tensão entre EUA, Ucrânia e Rússia.

A SpaceX, que ingressou no grupo das empresas mais valiosas do mundo após abrir seu capital no início deste ano, arrecada bilhões de dólares por meio de contratos com o governo dos Estados Unidos. Desde sua oferta pública inicial de ações (IPO), em junho, os papéis da companhia praticamente não saíram do lugar, mantendo uma avaliação de mercado de US$ 1,9 trilhão.

As ações da Tesla acumulam alta de 34% desde a mínima registrada no fim de julho, impulsionadas pelo otimismo dos investidores em relação aos projetos de inteligência artificial e à possibilidade de uma combinação de negócios com a SpaceX. Uma concessionária da Tesla em Las Vegas e uma instalação da SpaceX no Condado de Cameron.

A SpaceX pode ter realizado a maior oferta pública inicial de todos os tempos, mas Wall Street pode estar esperando algo ainda maior de Elon Musk — a fusão entre a SpaceX e a Tesla Esquerda: Mikayla Whitmore/The New York Times; Direita: Meridith Kohut/The New York Times

Antes da votação, analistas do mercado alertaram que o domínio dos democratas nas urnas poderia ampliar a capacidade do partido de fiscalizar a conduta de Musk e dificultar a concretização da esperada união entre as empresas. Embora o Congresso não possa, por si só, impedir uma negociação, os democratas, com maior poder político, poderão atrasá-la, afirmou Vikram Rai, da First New York.

“Ambas as ações estão sujeitas a um risco significativo de oscilações provocadas por notícias caso tenhamos uma vitória ampla dos democratas”, disse Rai à Bloomberg em entrevista na semana passada. Musk já havia levado em consideração a importância do cenário político americano.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, há uma iniciativa para anunciar um acordo entre Tesla e SpaceX até o primeiro semestre do próximo ano, de modo que a operação possa ser concluída enquanto Trump ainda estiver no cargo, conforme informou a Bloomberg. Vitória no Texas, um duro golpe para Musk

A vitória dos democratas em todas as disputas estaduais no Texas representou um golpe particularmente duro para Musk, que estabeleceu no estado as sedes da Tesla e da SpaceX e se alinhou a políticos do Partido Republicano. As ações da Tesla e da SpaceX estavam sob pressão no início do pregão desta quarta-feira “principalmente porque o Texas agora tem um novo senador democrata e o estado abriga as sedes e muitas das instalações das duas empresas, incluindo o centro de dados Colossus 3”, escreveu Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, em um comunicado.

As ações das empresas de Musk já demonstraram ser sensíveis aos resultados eleitorais. Após a reeleição de Trump, em 2024, os papéis da Tesla dispararam mais de 90% em pouco mais de um mês.

No entanto, os ganhos foram posteriormente revertidos, à medida que a relação entre Musk e Trump se deteriorou e os investidores demonstraram insatisfação com o envolvimento de Musk em sua iniciativa paralela no Departamento de Eficiência Governamental (Department of Government Efficiency — DOGE, em inglês).

Ainda há muitas incertezas em relação às ações das empresas. A fusão permanece em fase de estudos; Tesla e SpaceX estão consumindo bilhões de dólares no desenvolvimento de produtos; e os projetos de robotáxis, robôs e colônias em Marte ainda estão a anos de distância de gerar receitas capazes de contribuir para os resultados financeiros das companhias.

— Antes das eleições, narrativas e emoções são fatores importantes. Mas, depois que elas ficam para trás, os fundamentos e a realidade assumem o controle — afirmou Mark Hackett, estrategista-chefe do Nationwide Funds Group.

Desempenho das Bolsas globais As Bolsas na Europa e na Ásia apresentam tendências mistas.

No Japão, o índice Nikkei encerrou o pregão desta quarta-feira em forte queda, pressionado pelas ações de empresas de tecnologia, após os democratas conquistarem o controle do Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato. O Nikkei fechou em baixa de 1,42%, aos 62.188 pontos, depois de chegar a recuar quase 5% ao longo do dia.

O resultado eleitoral intensificou as preocupações com um cenário menos favorável ao desenvolvimento da inteligência artificial. Confira abaixo o desempenho das Bolsas pelo mundo:

Na Ásia: Japão: -1,42%

Hong Kong: +1,67% China (Shenzen): +2,31%

Na Europa: Londres: +0,78%

Frankfurt: +1,21% Paris: + 1,12%

Futuros nos EUA: Nasdaq: +0,94%

Dow Jones: +1,37% S&P: +0,96%

O dólar registrou sua maior queda em dois meses, recuando em relação a todas as principais moedas. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos caíram cinco pontos-base, para 4,91%.

Os democratas conquistaram vitórias em redutos republicanos em todo o país, revertendo pelo menos sete cadeiras no Senado e vencendo disputas para a Câmara dos Representantes em distritos nos quais os republicanos haviam obtido vitórias expressivas em 2024. Os resultados deixam Trump com muito menos margem de manobra do que nos dois primeiros anos de seu segundo mandato, quando o controle republicano do Congresso impunha poucos limites ao seu poder.

Trump afirmou que poderia trabalhar com uma Câmara e um Senado controlados pela oposição, “se os democratas quiserem trabalhar comigo”.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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