Crédito e burocracia dificultam expansão de negócios nas favelas do Rio

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Fonte da notícia: Valor Valor

Quase quatro em cada dez moradores de favelas do Rio têm negócio próprio, mas transformar esses empreendimentos em empresas capazes de crescer ainda é um desafio. Uma pesquisa do Instituto Data Favela, realizada com 1.674 moradores, mostrou que 55% dos entrevistados apontaram a falta de capital para investir como uma das principais dificuldades.

Entre os que buscaram financiamento, 66% disseram ter enfrentado problemas para conseguir crédito. “Falta, de fato, colocar o dinheiro na mesa”, afirmou Cléo Santana, sócia-diretora da Escola de Negócios da Favela e CEO do Data Favela, durante a terceira edição do Fórum Extra Favelas realizada nesta terça-feira (3) na Editora Globo.

Segundo ela, muitos empreendedores já têm produtos e serviços, mas não conseguem financiamento, informação ou contatos para ampliar suas atividades. A dificuldade de acesso a recursos se soma à informalidade.

O levantamento identificou que 57% dos empreendedores entrevistados não tinham CNPJ. Sem a formalização, os negócios podem encontrar mais barreiras para acessar linhas de crédito, fornecer para empresas maiores e ampliar a operação.

O apoio, porém, não deve se limitar à oferta de empréstimos. Para Carla Panisset, gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, é preciso considerar o estágio de cada negócio e aproximar empreendedores de instituições de apoio, aceleradoras e agentes de crédito.

Alguns precisam de orientação e estrutura para começar; outros já estão prontos para buscar novos mercados. A redução da burocracia para formalizar pequenos negócios foi defendida pelo presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado.

Ele afirmou que facilitar a entrada na economia formal pode permitir que empreendimentos de menor porte ampliem suas atividades. Já José Luciano dos Santos, sócio-diretor da Revelog Ambiental, destacou oportunidades na reciclagem e na economia circular, com a transformação de resíduos em produtos de valor comercial.

A discussão também apontou a necessidade de reconhecer os empreendedores das comunidades como agentes econômicos, e não apenas como beneficiários de projetos sociais. Para Cléo, o desafio é fazer com que esses negócios tenham acesso a recursos e oportunidades para competir e crescer.

A terceira edição do Fórum Extra Favelas reuniu representantes do poder público, empreendedores e organizações sociais para discutir caminhos para ampliar a atividade econômica nas comunidades cariocas. Favela no Rio

Márcia Foletto/Agência O Globo

Publicação Original Valor valor.globo.com
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