Corrida da IA tira motores de aviões do cemitério para alimentar data centers

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Motores retirados de aviões aposentados estão voltando a funcionar nos Estados Unidos. Desta vez, porém, não para decolar: eles são transformados em geradores de eletricidade para data centers de inteligência artificial.

A corrida por essas turbinas foi revelada em uma investigação do New York Times. Empresas especializadas percorrem depósitos de aeronaves em busca de motores que possam ser recondicionados, adaptados para queimar gás natural e instalados junto aos grandes centros de processamento.

A xAI, empresa de Elon Musk, colocou oito dessas unidades em operação no Mississippi, segundo licenças estaduais e imagens de satélite examinadas pelo jornal. Os equipamentos ajudam a abastecer a infraestrutura de data centers mantida pela companhia na região de Memphis.

O reaproveitamento é um efeito da diferença de velocidade entre a expansão da IA e a construção da infraestrutura necessária para sustentá-la. Enquanto um novo data center pode ser erguido em poucos anos, conexões de grande porte à rede elétrica e novas usinas podem demorar muito mais.

Com projetos bilionários à espera de energia, a pergunta deixou de ser apenas quanto custa a eletricidade. Passou a ser quanto tempo uma empresa precisa esperar até conseguir ligá-la.

Energia antes da rede Os motores usados não são simplesmente retirados das asas e conectados a um data center.

As partes centrais das turbinas passam por reformas e são integradas a geradores estacionários, capazes de produzir eletricidade com gás natural ou óleo combustível. Uma unidade desse tipo pode entregar cerca de 50 megawatts.

O tamanho relativamente compacto e a possibilidade de instalação perto do consumidor tornam a solução atraente para projetos que não querem aguardar anos por uma conexão convencional. Em janeiro, a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos estimou que os motores dos cerca de 4 mil aviões militares armazenados em uma única base no Arizona poderiam, em tese, gerar até 40 mil megawatts.

A capacidade supera toda a geração atualmente instalada no estado. O cálculo não significa que esse volume esteja disponível para uso imediato.

Parte dos motores está parada há mais de uma década, e sua retirada, recuperação e conversão exigiriam dinheiro, mão de obra e uma nova cadeia de equipamentos. Ainda assim, a estimativa ajuda a explicar por que os chamados “cemitérios de aviões” passaram a despertar o interesse do setor de tecnologia.

A ProEnergy, fabricante das turbinas usadas pela xAI, transforma motores da General Electric encontrados em aeronaves da Boeing em geradores. A empresa afirma que a procura de data centers por seus equipamentos já supera a demanda das companhias tradicionais de energia.

Em abril, a fabricante anunciou um contrato para fornecer 13 geradores à Crusoe, empresa responsável por grandes projetos de infraestrutura de IA. Cada unidade terá capacidade de 50 megawatts, o que leva o conjunto a 650 megawatts.

O custo ambiental do atalho A rapidez tem uma contrapartida.

Turbinas reaproveitadas consomem mais combustível e emitem mais poluentes do que equipamentos modernos desenvolvidos especificamente para usinas a gás. Também são necessárias mais unidades para produzir a mesma quantidade de eletricidade.

No Mississippi, as oito turbinas adaptadas da xAI receberam autorização para emitir monóxido de carbono a uma taxa duas vezes maior que a permitida para outros geradores instalados no mesmo complexo. O limite para compostos orgânicos voláteis, grupo de substâncias associado a riscos ambientais e à saúde, é 25% superior.

A expansão da geração própria já provocava disputas antes da chegada dos motores recondicionados. Organizações ambientais acusam a xAI de instalar e operar dezenas de turbinas a gás no Mississippi sem todas as licenças exigidas.

A empresa utiliza a estrutura para fornecer eletricidade a seus data centers do outro lado da divisa estadual, no Tennessee. A pressão por energia não se restringe à companhia de Musk.

Operadores de data centers enfrentam filas de vários anos para obter novas conexões à rede, ao mesmo tempo que fabricantes de turbinas convencionais acumulam encomendas com entrega apenas no fim da década. É nesse intervalo que motores destinados ao desmonte ganharam um segundo mercado.

Nos depósitos de aeronaves do Arizona, equipamentos que passaram anos sob o sol agora são disputados por empresas que precisam colocar seus data centers para funcionar antes que a rede elétrica consiga alcançá-los. Mais Lidas

Publicação Original Epoca Negócios epocanegocios.globo.com
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