São Paulo — Os conselhos regionais de enfermagem (Coren-SP) e de medicina (Cremesp) de São Paulo instauraram procedimentos internos para apurar a conduta das equipes do Hospital Salvalus, investigado pela Polícia Civil após a morte de bebês sob suspeita de infecção bacteriana. A Vigilância Sanitária Municipal também apura o caso, e fez uma fiscalização na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal na manhã desta sexta-feira (23/10).
As ações ocorrem após reportagem do Metrópoles. Em nota, o Coren-SP informou que, “diante de situações de possível infração ética, segue os ritos de apuração e as diretrizes da Resolução Cofen 706/2022, além de reforçar seu compromisso com o exercício profissional de enfermagem seguro e livre de danos aos pacientes e cidadãos”. Já o Cremesp disse estar investigando o caso sob sigilo, como determinado por lei.
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar as mortes de bebês ocorridas no Salvalus ao longo deste ano. Ao menos seis boletins de ocorrência foram registrados no 8º Distrito Policial (Brás), no centro de São Paulo, além de outros dois em outras delegacias.
A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbitos ocorridos neste ano. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital, que integra a rede HapVida.
No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior. “Para todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência.
Então todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, disse a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes ao Metrópoles.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à reportagem que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados nessa quarta-feira (21/10). “A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes”, disse a pasta.
Em nota ao Metrópoles, o Hospital Salvalus afirmou que trata os relatos com a máxima seriedade e ressaltou que “situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica”. O hospital afirmou, ainda, que “a unidade recebe crianças com condições graves, como prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e quadros infecciosos que exigem cuidados especializados”.
“Este ano, mais de mil crianças foram atendidas, com cuidados individualizados e equipes especializadas. As avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados”, diz o hospital.
Por fim, o Salvalus acrescentou que “alegações apresentadas não podem ser generalizadas nem utilizadas para estabelecer conclusões sobre todos os atendimentos sem respaldo técnico”. “Afirmações sem a devida contextualização podem ampliar a angústia de famílias que já enfrentam momentos de grande vulnerabilidade.”
Até o momento, a instituição diz não ter recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados e afirma estar à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.
Metropoles