247 – A primeira semana de novembro será marcada por uma combinação de decisões de política monetária, eleições e indicadores econômicos capazes de influenciar os mercados financeiros no Brasil e no exterior. O principal destaque da agenda brasileira será a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciará na quarta-feira (4) sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic.
Nos Estados Unidos, as eleições legislativas de terça-feira (3) e a divulgação de dados sobre o mercado de trabalho também estarão no centro das atenções. As informações são do InfoMoney.
A expectativa predominante entre os analistas é de que o Banco Central interrompa o ciclo de cortes de juros, iniciado em março, e mantenha a Selic em 13,5% ao ano. A decisão será divulgada às 18h30 de quarta-feira, em um ambiente de maior volatilidade cambial, pressões inflacionárias e preocupações com os rumos da política fiscal brasileira.
Segundo avaliação do Itaú, uma eventual decisão unânime pela manutenção dos juros poderá refletir a deterioração das condições econômicas, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. O banco destaca que as expectativas de inflação já se encontram desancoradas, o que aumenta a cautela na condução da política monetária.
O Bradesco também considera provável a interrupção do ciclo de redução dos juros. A instituição observa que, desde a reunião anterior do Copom, o petróleo passou a enfrentar pressões de alta e o real perdeu valor diante do dólar, fatores que podem elevar as projeções de inflação do Banco Central.
Eleições americanas podem alterar equilíbrio de forças no Congresso Na terça-feira (3), os eleitores dos Estados Unidos irão às urnas para escolher representantes da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms.
O pleito ocorre na metade do mandato do presidente Donald Trump e poderá modificar a correlação de forças no Congresso americano, com consequências para a agenda legislativa e econômica da Casa Branca. A apuração dos resultados poderá se estender por alguns dias, especialmente em disputas mais apertadas.
Além do cenário político, os investidores acompanharão uma sequência de indicadores sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. Na terça-feira, será divulgado o relatório JOLTS, que mede o número de vagas de emprego em aberto na economia americana.
Na quarta-feira, saem os dados da ADP sobre a criação de empregos no setor privado, além da balança comercial de setembro. O principal indicador da semana será divulgado na sexta-feira (6): o relatório oficial de emprego, conhecido como payroll, que apresenta os números de criação de vagas no país.
Também na sexta-feira será publicado o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan. Esses indicadores poderão influenciar as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos e, consequentemente, o comportamento do dólar e dos mercados internacionais.
Brasil terá dados de emprego, inflação e produção industrial No Brasil, a agenda econômica começa efetivamente na terça-feira (3), após o feriado de Finados.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgará o Índice de Confiança Empresarial e o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), ambos referentes a outubro. Também está prevista a publicação do Relatório Focus, do Banco Central, que reúne as projeções de instituições financeiras para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.
Na quarta-feira (4), antes da decisão do Copom, o mercado acompanhará os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), relativos a setembro. A projeção apresentada no calendário é de criação de 150 mil empregos formais no período.
O mesmo dia terá a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) e dos dados semanais do fluxo cambial. Na quinta-feira (5), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará a Pesquisa Industrial Mensal de setembro.
A expectativa é de retração de 0,1% em relação ao mês anterior. A agenda brasileira termina na sexta-feira (6), com a divulgação da balança comercial de outubro pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A projeção indicada é de superávit de US$ 9,4 bilhões. Balanços de grandes empresas também movimentam a semana
A temporada de resultados corporativos do terceiro trimestre ganhará intensidade a partir de terça-feira. Entre as empresas com balanços previstos para o período estão Itaú, Magazine Luiza, C&A e Sabesp.
Os resultados serão acompanhados em um contexto de juros elevados, encarecimento do crédito e maior preocupação com o endividamento de empresas e consumidores. Confira os principais eventos da semana
Segunda-feira (2): divulgação dos índices de gerentes de compras (PMI) da indústria de transformação dos Estados Unidos, pela S&P Global e pelo ISM. Feriado de Finados no Brasil.
Terça-feira (3): eleições legislativas nos Estados Unidos, relatório JOLTS, Índice de Confiança Empresarial e IPC-S da FGV, além do Relatório Focus. Quarta-feira (4): decisão do Copom às 18h30, com expectativa de manutenção da Selic em 13,5%; divulgação do Caged, IPC-Fipe e fluxo cambial no Brasil; relatório ADP e balança comercial americana.
Quinta-feira (5): Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos e decisões de juros no Reino Unido e no México. Sexta-feira (6): divulgação da balança comercial brasileira, do relatório de emprego americano (payroll) e do índice de confiança da Universidade de Michigan.
A combinação desses eventos torna a semana especialmente relevante para a definição das expectativas econômicas no Brasil. A decisão do Copom, em particular, será observada como um sinal da avaliação do Banco Central sobre os riscos inflacionários e as condições necessárias para uma retomada da redução dos juros.
Brasil 247