Em algum momento da infância, Francisco Terra, mineiro e folião incorrigível, “roubou” do guarda-roupa da avó materna um sobretudo dourado para desenvolver um fraque para pular o carnaval. O look ficou um arraso, porém a retaliação não tardou.
“Só me lembro de vovó correndo atrás de mim e gritando: ‘Maldito, maldito’”, diverte-se ele, que, desde 2022, chama a atenção com sua grife batizada de... Maldito Paris.
“O nome tem a ver também com a forma como a parte homofóbica da sociedade enxerga a comunidade LGBTQIAPN+, da qual faço parte. Muitos nos chamam justamente assim”, comenta o designer, de 43 anos.
Maldito, marca que une fantasia, cultura pop e alfaiataria Divulgação
Com passagem pela Givenchy, nos tempos em que Riccardo Tisci ditava as regras da casa, e pela Carven, na era Guillaume Henry, Francisco atraiu os holofotes em julho, ao promover um desfile, em São Paulo, que bebia da fonte do tradicional baile do Metropolitan Museum of Art, de Nova York.
Sob o olhar do estilista, o “Mete bala”, em livre adaptação do criador, mostrou peças que dialogavam com a alta-costura, o fetiche e o carnaval brasileiro. “Quando lancei a marca, saindo da pandemia, senti que o mundo precisava ser um tiquinho mais onírico.”
Maquiagem Maldito Divulgação
Há quase 20 anos fora do Brasil, o estilista, baseado na capital francesa, veste nomes como Sabrina Sato e Marina Ruy Barbosa, e caiu nas graças da crítica especializada. “São peças que fogem do comercial.
Entrega ‘moda’, o que deveria ser o principal fator na indústria”, comenta o consultor Rogério S. Leandro Porto, responsável pelo styling do desfile da grife no Brasil, usa a palavra “sonho”: “Queremos trazer para a vida real imagens que, em algum momento, só a gente havia imaginado.
É um sentimento de identificação, de fazer parte do mesmo mundo”
O Globo