247 – Pedro Alliana assumirá a Presidência do Paraguai após o Congresso rejeitar um pedido de impeachment contra o vice-presidente, abrindo caminho para a sucessão de Santiago Peña, que renunciou nesta quinta-feira (5) em meio a uma grave crise bancária e política no país. As informações são do G1.
A saída de Peña ocorreu após o agravamento das denúncias envolvendo o banco digital Ueno, instituição da qual o presidente havia sido acionista. O colapso do banco, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, provocou o bloqueio de contas, manifestações populares e uma ruptura na base de sustentação do governo.
A renúncia foi anunciada depois que parlamentares governistas e oposicionistas passaram a defender o afastamento do presidente. Peña, integrante do Partido Colorado, perdeu inclusive o apoio de dirigentes de sua própria legenda, tornando politicamente insustentável sua permanência no cargo.
Peña renuncia após perder apoio político Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira, Santiago Peña anunciou sua decisão e pediu desculpas aos paraguaios prejudicados pela crise financeira.
Segundo o presidente, a renúncia foi tomada “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”. “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.
Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou.
A Câmara dos Deputados havia iniciado uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment, apresentado por 35 parlamentares. Todas as bancadas anunciaram apoio ao afastamento do presidente.
A crise política se intensificou depois que Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e considerado mentor político de Peña, retirou seu apoio ao governo. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também integrante da legenda governista, adotou a mesma posição.
A perda de sustentação parlamentar ocorreu em meio à pressão provocada pelas denúncias sobre a relação entre o governo e o banco Ueno. Quebra do Ueno atingiu milhões de clientes
O banco digital Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou suas atividades na terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou seu processo de liquidação. A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para o cumprimento das obrigações financeiras da instituição.
O problema estava relacionado à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao próprio banco. O Ueno possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña havia sido acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025, circunstância que passou a integrar as acusações formuladas pela oposição. Os parlamentares apontam suspeitas de conflito de interesses, manipulação de normas e desvio de recursos previdenciários.
Também acusam o Banco Central de ter encoberto irregularidades relacionadas à instituição financeira. Durante a sessão parlamentar, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou diretamente o presidente pela dimensão da crise.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou. As acusações ampliaram a pressão pelo afastamento de Peña, enquanto milhares de correntistas buscavam recuperar o acesso aos recursos depositados no banco.
Executivos são investigados e Justiça bloqueia bens A crise financeira também desencadeou uma investigação criminal contra dirigentes e pessoas ligadas ao Ueno.
Executivos da instituição se apresentaram às autoridades depois da emissão de mandados de prisão pela Procuradoria paraguaia. Ao todo, 27 pessoas vinculadas ao banco foram formalmente acusadas.
A Justiça determinou ainda o bloqueio dos bens dos investigados. Antes de anunciar sua renúncia, Peña havia afirmado nas redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades deveriam responder judicialmente, sem exceções.
O presidente também promulgou uma lei destinada a acelerar a devolução dos recursos aos clientes prejudicados. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.
A crise provocou uma corrida de clientes para outras instituições financeiras. Na quarta-feira (4), relatos de problemas em aplicativos bancários ampliaram a preocupação com a estabilidade do sistema.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao aumento expressivo da demanda de clientes interessados em transferir suas contas. Apesar da movimentação, a entidade afirmou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.
Mudança de governo ocorre em meio a relações com Brasil e EUA A saída de Santiago Peña também representa uma mudança no comando político de um país que mantém relações estratégicas com o Brasil e os Estados Unidos.
O presidente paraguaio era aliado de Donald Trump e integrava o Escudo das Américas, agrupamento de governos latino-americanos alinhados politicamente ao presidente estadunidense. Ao mesmo tempo, Peña mantinha uma relação diplomática positiva com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes, Peña chegou à Presidência pelo Partido Colorado, legenda de direita que domina a política paraguaia há décadas.
Brasil 247