Conferência internacional debate redução de carbono e futuro do setor sucroenergético

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

A 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, a Datagro Experience, iniciada na segunda-feira (26), em São Paulo, reúne lideranças empresariais, especialistas e representantes do poder público para discutir os desafios e as perspectivas do setor sucroenergético. O presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro, marcou presença no evento, que encerra sua programação nesta terça-feira (27). 

Consolidada como um dos principais encontros do calendário sucroenergético, a conferência tem como tema central nesta edição a redução da intensidade de carbono do etanol. Segundo o presidente da Datagro - Consultoria Agrícola Independente e organizador do evento, Plinio Nastari, o avanço nessa área será fundamental para ampliar a participação do biocombustível em novos mercados, como o transporte marítimo e a produção de combustível sustentável de aviação (SAF).

“Para novos mercados, para a substituição de bunker marítimo, para a produção de SAF, combustível sustentável de aviação, vai ser fundamental que o etanol tenha uma intensidade de carbono próxima de neutra ou negativa”, afirmou Nastari. O executivo destacou que a redução das emissões também pode se tornar um diferencial competitivo para os produtores.

“Essa é a nova fase do setor, em que os produtores vão buscar uma diferenciação de produto pela intensidade de carbono, que é a capacidade de promover descarbonização”, acrescentou. Durante os debates de ontem, foram discutidas tecnologias e estratégias para reduzir as emissões ao longo da cadeia produtiva, incluindo a substituição do diesel por etanol em tratores, caminhões e colheitadeiras, a injeção de CO biogênico no subsolo e a adoção de práticas industriais para reduzir o consumo de energia e vapor.

Também entrou em pauta a possibilidade de incorporar o carbono armazenado no solo aos cálculos do RenovaBio, política nacional de incentivo aos biocombustíveis. De acordo com Nastari, a adoção dessas medidas pode transformar os indicadores ambientais do produto.

“Tudo isso poderá levar a uma transformação da intensidade de carbono que hoje está em torno de 17 a 21 gramas de CO por megajoule para algo como -13 ou até -30 gramas de CO por megajoule”, explicou. Segundo ele, essa redução pode agregar valor ao combustível e ampliar sua presença em mercados que buscam diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

“Isso vai ter um valor muito grande para os mercados e para as companhias que estão criando metas e estratégias para redução das suas emissões de carbono”, ressaltou. Além da descarbonização, a conferência debate as perspectivas para a safra 2026/2027 no Brasil e no mundo, os impactos da geopolítica nos mercados de açúcar e etanol e os desafios relacionados ao clima, aos preços, à regulação, ao protecionismo e às políticas de apoio à indústria em diferentes países.

“Foi uma discussão bastante ampla envolvendo mercados de energia para transporte em terra, mar e ar”, destacou Nastari. Painéis 

A programação também contempla a diversificação das atividades do setor, com discussões sobre bioeletricidade, biogás, etanol de segunda geração, integração entre cana-de-açúcar e milho, captura de carbono e produção de combustíveis sustentáveis para a aviação. Inovação tecnológica, comercialização internacional e alternativas de financiamento também estão entre os temas debatidos.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio), Renato Cunha, será um dos palestrantes de nesta terça. Com formato híbrido, a conferência promove o intercâmbio de experiências entre representantes de usinas sucroenergéticas, tradings, instituições financeiras, fundos de investimento, órgãos governamentais e entidades setoriais, fortalecendo o diálogo sobre o futuro da cadeia produtiva no Brasil e no mercado internacional.

 

Publicação Original Folha de Pernambuco folhape.com.br
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