Vitória de Lula eleva juros, derruba ações de construtoras e acende alerta no mercado imobiliário

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Enquanto investidores lidam com 'pânico' pós eleitoral, especialista do mercado imobiliário recomenda cautela ao alarmismo A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou um forte reajuste no mercado financeiro nesta segunda-feira (26), com impactos imediatos no setor de imóveis.

Sensível ao custo do crédito, o segmento viu as ações das principais construtoras e incorporadoras despencarem na bolsa de valores de São Paulo (B3), pressionadas pela alta acelerada das taxas de juros futuros. Papéis de gigantes da construção civil lideraram as perdas do pregão.

No início da tarde, a Cyrela (CYRE3) e a MRV&Co (MRVE3) chegavam a registrar quedas superiores a 41%. Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) também amargaram tombos expressivos, variando entre 13% e 23%.

Segundo análise divulgada pela Genial Investimentos, o mercado financeiro havia precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) — com os mercados de apostas chegando a dar 80% de chance para o candidato derrotado. Essa confiança embutia a expectativa de um rigoroso ajuste nas contas públicas.

Com a virada inédita de Lula no segundo turno, impulsionada pela queda na abstenção e forte presença no Nordeste, o prêmio de risco voltou a disparar. A Genial aponta que, diante de um cenário de continuidade da política econômica e sem uma âncora fiscal clara que estabilize a dívida pública, o investidor passou a trocar o “risco doméstico” por proteção, buscando liquidez e moeda forte.

Na prática, isso significa uma projeção de juros (Selic) altos por mais tempo. Para o mercado imobiliário a recomendação é de que fundos imobiliários fiquem de fora das carteiras no momento, por serem muito sensíveis aos juros.

A corretora destaca ainda que o setor de construção civil e empresas alavancadas tendem a sofrer mais no novo cenário. “Na direção oposta, varejo, construção, empresas menores (small caps) e empresas alavancadas tendem a sofrer mais, ao mesmo tempo com crédito caro, consumo mais fraco e taxa de desconto mais alta”, afirma Filipe Villegas, analista da companhia.

Apesar do susto na bolsa de valores, especialistas do setor imobiliário lembram que há um intervalo de tempo entre o nervosismo do mercado financeiro e a alteração real das taxas nos balcões dos bancos. Como o crédito habitacional utiliza fontes de recursos com regras próprias, como a poupança (SBPE) e o FGTS, os reajustes não chegam ao consumidor de forma automática no dia seguinte.

Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, a reação dos mercados evidencia como o noticiário dita o humor dos negócios, mas não deve ser encarada como uma mudança imediata na realidade do consumidor. “O investidor acompanha os sinais da política econômica porque eles afetam o custo do dinheiro e a confiança.

No entanto, o comportamento do mercado imobiliário depende de como essas expectativas se traduzem em crédito, renda e condições efetivas de negociação”, explica Isnard. O especialista orienta que quem busca adquirir um imóvel, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão, mantenha o foco no planejamento.

“Em momentos de incerteza, o comprador precisa olhar além do noticiário e avaliar as condições concretas do negócio. A qualidade do ativo, a localização, o preço negociado e o planejamento financeiro continuam sendo determinantes.

Mais importante do que tentar antecipar cada movimento da economia é identificar oportunidades compatíveis com os objetivos e a capacidade financeira de cada comprador”, avalia. Agora, o ritmo de recuperação das construtoras e o custo final do crédito dependerão dos próximos passos do governo reeleito — em especial, das propostas econômicas que serão apresentadas e de como a nova gestão articulará suas pautas fiscais junto a um Congresso fragmentado.

A reação do mercado levou o Ministro da Fazenda, Dário Duringan a reagir. Ao O Globo, o titular da pasta diz ter comunicado o presidente que atuaria junto ao Banco Central para arrefecer os ânimos dos investidores a partir dos títulos do Tesouro.

“Eu conversei com o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] por telefone para explicar a situação. Eu falei com o Banco Central, estou falando com o Tesouro.

Depois de uma eleição como a que a gente passou, é evidente que nós temos que tomar todos os cuidados”, disse em entrevista ao O Globo. “Nós precisamos ter alguma racionalidade.

Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro, o Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez.

Eu não estou falando de nível, o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade”, afirmou ainda. Vinicios Souza é editor e repórter no ND Mais, onde integra o Núcleo Nacional e escreve sobre fatos e assuntos de grande relevância e impacto na vida dos brasileiros.

Produz matérias sobre política, Judiciário e transparência pública, além de acompanhar atentamente acontecimentos que repercutem no Brasil e no mundo. Formado pela Unesa (Universidade Estácio de Sá), atua no jornalismo desde 2017 e acumula experiência em portais digitais, veículos impressos e comunicação empresarial.

Acompanhou de perto a imigração venezuelana em 2018 e suas implicações locais no Mato Grosso do Sul. É especializado em Jornalismo Político e Investigativo, possuindo conhecimento aprofundado no setor.

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