Como seu cérebro continua aprendendo enquanto você descansa?

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Quando você está trabalhando em algo difícil, costuma dar uma pausa, caminhar ou até mesmo deixar ele descansar de um dia para o outro para ter aquele lampejo repentino de inspiração ou insight que estava procurando? Saiba que isso não é incomum e há uma resposta cientifica para esse descanso.

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"Você tem um problema para resolver; não consegue encontrar a solução certa. Então você tira um cochilo ou faz algo relaxante, e tudo se acalma.

Algo acontece ali, e de repente a solução surge", diz George Dragoi, professor de psiquiatria da Escola de Medicina de Yale. Dragoi e o coautor Baburam Bhattarai, um ex-bolsista de pós-doutorado em seu laboratório, identificaram padrões de atividade cerebral associados a esse processo de aprendizagem "offline" em um estudo recente publicado na Nature Communications.

Segundo os estudos, os seres humanos quando tentam resolver um problema ou aprender uma nova habilidade, recorrem a experiências e conhecimentos passados, conectando neurônios antigos em novas vias para adaptá-los a novas funções. Aprender a dirigir um carro familiar, por exemplo, pode ser um processo intenso que dura três ou quatro semanas no início da vida adulta.

Mais tarde, aprender a dirigir um veículo novo — como um caminhão de mudança grande alugado — requer um período de aprendizado e adaptação muito mais curto. Aedes aegypti: 49% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco para mosquito, alerta Ministério da Saúde

"Você assimila as novidades junto com as informações antigas e acaba aprendendo tudo de novo. É sempre um processo de adaptação", diz Dragoi.

E o período de descanso, repouso e o sono desempenham um papel importante nesse processo de adaptação e recombinação de experiências ou informações anteriores. "Já existem experiências passadas e informações separadas presentes, e durante o sono o cérebro tenta conectá-las e juntá-las todas", explica Dragoi.

Estudo Para o estudo, os pesquisadores treinaram ratos usando um labirinto simples com seis locais possíveis para uma recompensa alimentar, cada um associado a um aroma e sabor específicos.

Assim que os animais aprenderam a associar cada um dos seis aromas a um local específico de recompensa, os pesquisadores começaram a trocar os pares aroma-local. Primeiro, trocaram três dos pares, depois os outros três, até finalmente alterarem todos os seis.

O pesquisador observou que mesmo quando todos os seis pares de cheiro-local foram alterados, ainda havia regras não associativas consistentes nas quais os ratos podiam confiar: não visitar o mesmo local duas vezes em uma mesma tentativa, por exemplo, ou não se incomodar com o local que continha a recompensa alimentar na tentativa anterior.

Mas essas regras não foram suficientes para resolver a tarefa. Tanto com três pares diferentes ou seis pares em lugares distintos, os ratos demoravam a encontrar as novas recompensas no início, mas após um período de descanso, eles visitavam o local correto muito mais rapidamente, em média.

"A princípio, parecia que nenhum deles tinha aprendido e então eles foram descansar por uma hora, desconectados, fora do labirinto. Quando voltaram, pareciam saber tudo.

Foi como se tivessem tido uma revelação", diz Dragoi. Cérebro durante o repouso

Com a conexão entre repouso e aprendizado rápido estabelecida, a próxima tarefa dos pesquisadores foi descobrir como o cérebro se reconfigura durante o repouso. Uma hipótese envolve breves "ondulações" de atividade coordenada no hipocampo — área de processamento da memória no cérebro.

Câncer: exame de sangue que detecta mais de 50 tipos da doença chega ao país Essas ondulações estão associadas a picos de atividade no córtex pré-frontal, e os cientistas só as observam durante períodos de sono ou repouso tranquilo e de vigília.

"A atividade cerebral durante o sono é bastante desorganizada, mas durante essas oscilações, muitos neurônios estão coordenados e disparando, e ocorre essa oscilação de alta frequência, que dura apenas de 40 a 80 milissegundos", explica o pesquisador. Acredita-se que essas oscilações possam representar a rápida reescrita e compilação das conexões cerebrais durante o repouso.

Quando os pesquisadores usaram pequenos sinais elétricos para suprimir as ondulações assim que elas começavam a se formar, os benefícios do repouso para o aprendizado desapareceram. "Observamos que um aprendizado mais forte estava associado às ondulações e, em seguida, bloqueamos essas ondulações e bloqueamos o aprendizado associativo rápido, portanto, sabemos pelo menos que as ondulações são necessárias para esse aprendizado rápido, semelhante à intuição", diz Dragoi.

Mapa cognitivo Dragoi afirma que, no presente, os resultados da equipe reforçam o papel importante do sono, especialmente para estagiários ou pessoas aprendendo novas habilidades.

E afirma que o estudo pode ajudar a abrir caminho para futuras terapias direcionadas ao aprendizado ou à memória em humanos. "É um mapa cognitivo.

Você pode fazer desvios e pegar atalhos mesmo que nunca os tenha feito antes. Mas seu conhecimento e experiência prévios são as estradas que tornam isso possível", afirma.

Segundo o pesquisador, não são os mesmos neurônios em todos os animais, mas os princípios, a maneira como coordenam os fenômenos, "são transferíveis de um animal para outro", diz. Dar ao cérebro um pequeno descanso pode ajudá-lo a fazer o que faz de melhor: criar e refinar conexões.

"Distancie-se um pouco do problema e deixe o cérebro trabalhar por você", diz ele. "O descanso inspira insights."

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