Com reeleição improvável, Alcolumbre retoma análise da PEC da 6x1 nesta semana

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Fonte da notícia: Valor Valor

A avalanche de votos para a extrema direita nas eleições do último domingo (4) praticamente enterrou os planos de reeleição dos presidentes do Senado e da Câmara. Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) ainda estão mapeando as novas configurações das Casas, mas já sabem que terão poucas chances de manter as cadeiras, especialmente em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.

Reconciliado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco tempo antes da eleição, Alcolumbre confirmou para a terça-feira (6) a retomada da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6x1. Apesar de dizer nos bastidores que pretende levar o texto à votação, ele e a base governista estão enfrentando muitas dificuldades para mobilizar senadores a participarem da sessão.

Segundo apurou o Valor, mesmo na base governista o clima é de desconfiança sobre o quórum possível. Até o final da tarde desta segunda-feira (5), menos de 15 senadores aliados de Lula haviam confirmado presença em Brasília. O presidente do Senado também disse a pessoas próximas que ainda estava “sentindo o plenário”, mas que acreditava na possibilidade de votação da PEC.

Apesar de o acordo feito com o governo contemplar somente a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que já aconteceu, Alcolumbre chegou a dar sinais de que poderia votar o texto em plenário, ao menos em primeiro turno — a aprovação de PEC depende de duas rodadas de votação. Para esta semana, a única garantia é de retomada das discussões sobre o texto, que é um dos trunfos de Lula na tentativa de reeleição.

Motta Se a renovação do mandato de Lula ficou mais distante, o mesmo parece ter acontecido com os presidentes da Câmara e do Senado. Motta – que também teve suas trombadas com o governo – entrou de cabeça na campanha do petista na tentativa de eleger seu pai, Nabor Wanderley, para o Senado. O plano fracassou e ele tirou das urnas apenas a própria reeleição, que já estava relativamente assegurada.

A postura na campanha e a nova composição da Câmara, com mais de 120 deputados do PL eleitos, tornam a sua recondução altamente improvável. Apesar de ter feito alguns acenos durante seu mandato, Motta tem saldo negativo entre os bolsonaristas. Pode ter chances maiores de reeleição em caso de vitória de Lula e um novo acordo entre o Planalto e o Centrão, mas este cenário ficou inegavelmente mais distante.

Alcolumbre também sofreu um duro golpe das urnas. Mesmo com o mandato de senador garantido até 2031, ele viu sua influência política no Amapá esfarelar. Seus indicados para o governo e para as duas vagas ao Senado foram derrotados, mesmo destino imposto pelos eleitores ao líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), considerado um aliado mais pragmático.

O resultado no Amapá e a aliança com Lula, associados à explosão de senadores de extrema direita eleitos no domingo, tornam a reeleição de Alcolumbre quase impossível. Assim como acontece com Motta, suas chances ainda se escoram em uma eventual virada de Lula na corrida presidencial, que poderia levar a uma costura política favorável, daí a tentativa de aprovar a PEC da 6x1 esta semana. As chances de sucesso, contudo, são pequenas.

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